Política

Conflito territorial eleva tensão entre caiçaras e indígenas

Disputa por área no Rio Pequeno envolve reivindicações históricas

Conflito territorial eleva tensão entre caiçaras e indígenas
Conflito entre comunidades é antigo e teve ato até durante a Flip Crédito: Sônia Paes/CSF

Comunidades tradicionais caiçaras e indígenas da região do Rio Pequeno, em Paraty, vivem um período de tensão em meio a uma disputa territorial e a episódios recentes que agravaram o clima de apreensão entre os moradores. O conflito envolve reivindicações sobre a posse e o reconhecimento territorial da área. Moradores caiçaras relatam invasões e pressões sobre propriedades ocupadas por suas famílias há gerações. Entre os patrimônios históricos da comunidade está a centenária Casa de Farinha do Rio Pequeno, cuja preservação também se tornou motivo de preocupação.

Já grupos indígenas reivindicam o reconhecimento da região como território tradicional, com base em seus direitos territoriais originários. O impasse reúne questões históricas, fundiárias e culturais, que tornam ainda mais complexa a busca por uma solução.

Em outubro de 2026, um incêndio atingiu a histórica Casa de Farinha, agravando as tensões na localidade. Após o episódio, a Prefeitura de Paraty acionou as Polícias Militar e Federal e solicitou a mediação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Governo Federal.

Prefeitura faz reunião

Na última terça-feira, representantes da Prefeitura de Paraty, incluindo o prefeito Zezé e integrantes da Procuradoria-Geral do Município, participaram de uma reunião com moradores do Rio Pequeno e representantes de diferentes instituições.

O encontro também contou com a presença da Defensoria Pública, do Fórum de Comunidades Tradicionais e de outras entidades. A iniciativa buscou ouvir as reivindicações dos envolvidos, ampliar o diálogo e encontrar alternativas para evitar novos episódios de conflito.

Além das divergências entre caiçaras e indígenas, a situação no Rio Pequeno evidencia problemas relacionados à regularização fundiária e à pressão sobre territórios tradicionais. Enquanto os moradores caiçaras reivindicam a proteção de suas propriedades, construções históricas e de um modo de vida mantido há gerações, as comunidades indígenas defendem o reconhecimento de seus direitos originários e a garantia de seus territórios tradicionais.