Para debater sobre segurança no ambiente de trabalho e saúde na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), foi realizada nesta quarta-feira (17) uma audiência pública no auditório da Universidade Federal Fluminense (UFF), promovida pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ). O encontro também contou com a participação do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense (Sindmetal-SF), além de trabalhadores, especialistas e autoridades para discutir sobre as condições de trabalho na Usina Presidente Vargas.
O intuito do encontro foi compreender as causas estruturais da recorrência de acidentes graves e fatais na empresa. Ainda, foi pautado possíveis excessos na jornada de trabalho e falhas na gestão de segurança e saúde no trabalho. O encontro promoveu um espaço de escuta qualificada aos trabalhadores, reconhecimento de acidentes que são eventos evitáveis e trabalhar na aproximação com demais atores. No fim do encontro, também foi firmada uma proposta para monitoramento contínuo da empresa.
Durante sua fala, o presidente Odair Mariano destacou a gravidade da situação.
- Não podemos aceitar que acidentes e adoecimentos continuem fazendo parte da rotina dos trabalhadores. A preservação da vida deve estar acima de qualquer meta de produção ou resultado financeiro. Segurança não pode ser tratada como custo, mas como um valor inegociável - pontuou.
O diretor jurídico do sindicato, Leandro Vaz, também participou da mesa e chamou atenção para a precariedade das condições oferecidas pela empresa. Ele afirmou: "A CSN precisa assumir maior responsabilidade com seus trabalhadores. Não é admissível que vidas sejam colocadas em risco em nome da produção".
Acidentes fatais
Em maio, um acidente fatal foi registrado no interior da usina, em Volta Redonda. O inspetor de manutenção, Alfredo Jorge Toledo, de 51 anos, teria se desequilibrado quando trabalhava em uma ponte rolante e caiu de uma altura de 20 metros. Ele morreu ainda no local do acidente.
Ainda, em janeiro deste ano, outro acidente fatal. O mecânico de manutenção Magno Rodrigo Vieira de Almeida, de 45 anos, era funcionário da terceirizada Companhia Brasileira de Serviços de Infraestrutura (CBSI). Ele sofreu um grave acidente na área de sinterização e foi internado em estado gravíssimo no Hospital Santa Cecília, mas não resistiu.
Menu