As ações da Companhia Siderúrgica Nacional operaram em alta nesta quinta-feira (14), após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), na noite de quarta-feira (13). Os números mostraram recuperação operacional no segmento de aço e redução de 24,2% da dívida líquida.
A companhia reportou prejuízo de R$ 555 milhões no 1T26, ante prejuízo de R$ 732 milhões registrado no mesmo período do ano passado.
Apesar da melhora operacional, o elevado endividamento do conglomerado controlado por Benjamin Steinbruch continua acendendo o alerta entre investidores. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 40,5 bilhões. Desse total, o cronograma de amortizações prevê vencimentos de R$ 20,8 bilhões ainda em 2026. O caixa disponível da empresa soma R$ 14,6 bilhões.
No primeiro trimestre, o Ebitda ajustado — indicador que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — totalizou R$ 2,64 bilhões, alta de 5,5% na comparação anual. Já a receita líquida atingiu R$ 10,6 bilhões no 1T26, queda de 2,8% em relação ao mesmo trimestre de 2025 (1T25).
Braço da mineração
A CSN Mineração, braço de mineração do grupo, registrou lucro líquido de R$ 222,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 357 milhões apurado no mesmo período de 2025.
Segundo a empresa, o resultado foi sustentado pelo aumento da produção própria e pela manutenção dos preços do minério de ferro em patamares elevados, apesar dos impactos da variação cambial e das fortes chuvas sobre os volumes embarcados.
O Ebitda ajustado da mineradora somou R$ 1,419 bilhão no 1T26, leve queda de 0,5% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada alcançou 44,9%, representando expansão de 2,0 pontos percentuais frente ao quarto trimestre de 2025 (4T25) e de 3,0 pontos percentuais em relação ao 1T25.
De acordo com a companhia, o desempenho foi favorecido pela manutenção dos preços em níveis elevados, que compensou a pressão dos custos de frete, além da melhora no mix de produtos exportados, com maior participação de produção própria.
A receita líquida ajustada totalizou R$ 3,165 bilhões, queda de 7,2% na base anual, refletindo exclusivamente a variação cambial, já que volumes e preços permaneceram em níveis semelhantes, informou a empresa.
Ofertas pela CSN Cimentos
O Grupo CSN começou a receber propostas para a venda da CSN Cimentos, com o objetivo de reduzir o endividamento. A expectativa é levantar cerca de R$ 10 bilhões com a operação. A cimenteira estaria no radar de sete investidores. O banco Morgan Stanley foi contratado como assessor financeiro da transação.
O diretor financeiro da CSN, Antonio Marco Rabello, afirmou nesta quinta-feira (14) que o plano de venda de ativos — que também inclui parte do setor de logística da siderúrgica — está avançando dentro do cronograma e com propostas acima das expectativas iniciais da companhia.
As declarações foram feitas durante conferência com analistas realizada após a divulgação do balanço.
Plano de desalavancagem
Em janeiro, a CSN anunciou um plano de desalavancagem financeira e reorganização de negócios. Na ocasião, a apresentação contou com a participação de diretores e de Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho de Administração e CEO da companhia. "Vamos resolver de uma vez por todas a alavancagem da CSN. Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse", afirmou Steinbruch.
O executivo também destacou que o atual nível de juros no país dificulta investimentos e pressiona o endividamento do grupo.
A CSN é um dos maiores complexos siderúrgicos do Brasil, atuando de forma integrada desde a mineração até a produção de aços planos, revestidos e longos, com destaque para a Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda.