Correio da Manhã
Opinião

'Retenção de colaborador é uma via de mão dupla'

'Se o ambiente de trabalho é negativo, tudo se torna um fardo'

'Retenção de colaborador é uma via de mão dupla'

Você já se perguntou por que, mesmo com um salário em dia e benefícios razoáveis, alguns talentos simplesmente decidem ir embora? Ou pior, por que alguns ficam, mas é como se não estivessem lá? A verdade incômoda é que passamos tempo demais discutindo como a empresa deve 'reter' as pessoas, como se elas fossem objetos passivos em uma prateleira, e tempo de menos entendendo quem é essa pessoa que está sentada à nossa frente. A retenção não é um feitiço que o RH lança; é uma parceria que começa muito antes do contrato assinado. Ela nasce na disposição individual de aprender, de crescer e, principalmente, na identificação com o que se faz. Precisamos falar sobre o papel do profissional nessa jornada.

Interesse mútuo

Afinal, qualquer relação de trabalho saudável é, na sua essência, uma parceria bilateral. O trabalho ocupa um lugar central na nossa existência: ele nos organiza, provê o sustento material, constrói nossa identidade e nos insere em uma vida social ativa. Para a maioria de nós, o emprego é a ferramenta que realiza nossos sonhos, seja comprar a casa própria, constituir família ou progredir na carreira. Quando o indivíduo entende o trabalho como essa peça fundamental na construção da sua própria história, a retenção deixa de ser um esforço unilateral da empresa e passa a ser um interesse mútuo. Até para nos posicionarmos diante de nossas prioridades o trabalho tem papel importante para proporcionar não somente os meios, mas a percepção de quanto que vale a pena se esforçar por.

Se o ambiente de trabalho é negativo, tudo se torna um fardo e a saúde mental padece. Mas, se há um alinhamento de propósitos, o trabalho se torna um motor de saúde e realização. O incentivo que a empresa oferece só terá efeito real se encontrar um terreno fértil. Como na parábola do semeador, a semente precisa de terra boa para brotar; essa abertura é a terra.

Agente ativo

No mundo das micro e pequenas empresas, onde cada pessoa conta muito, entender que o colaborador é um agente ativo da sua própria permanência no jogo, muda o jogo. A empresa entra com a estrutura, o acolhimento e o incentivo; o profissional entra com o desejo, a competência e a visão de futuro. Sem essa liga, nenhum pacote de benefícios segura ninguém por muito tempo. Reter é, acima de tudo, escolher caminhar na mesma direção todos os dias, com clareza e respeito. É o pacto de confiança que sustenta o crescimento contínuo.