Com a consolidação da seleção francesa como a melhor equipe das últimas 3 Copas do Mundo, foi revivido em 2026 um assunto frequentemente utilizado para destilar racismo e menosprezar os feitos de uma seleção que até o momento tem sido a melhor equipe da Copa do Mundo de 2026.
Sendo formada majoritariamente por jogadores negros e descendentes de imigrantes, a Seleção da França tem sido alvo constante de racismo e xenofobia vindo de diversas partes do mundo.
Segundo estas pessoas, a seleção da França supostamente é formada por jogadores africanos, em uma associação equivocada levando em conta apenas a cor de pele de jogadores como Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Dayot Upamecano, N'Golo Kanté, entre outros.
No entanto, apenas três jogadores do elenco da seleção da França não nasceram em território francês: O goleiro Brice Samba, nascido no Congo; Michael Olise, nascido na Inglaterra e Marcus Thuram, nascido na Itália. Todo o restante do elenco é nascido na França, sendo a maioria deles com ascendência estrangeira.
Casos recentes
O assunto ganhou ainda mais repercussão internacional após duas declarações racistas de figuras relevantes nesta semana, envolvendo a partida entre França e Paraguai. No primeiro caso, o ex-goleiro paraguaio José Luis Chilavert afirmou que Paraguai iria enfrentar uma 'seleção africana', se referindo aos jogadores negros da equipe.
Após a fala do ex-atleta, o presidente da Federação Francesa, Philippe Diallo, se pronunciou, condenando Chilavert: "Condeno veementemente as declarações racistas feitas por José Luis Chilavert contra a seleção francesa. Se um dia ele foi um grande goleiro, agora caiu em desgraça".
Outro caso contra a seleção francesa envolveu a parlamentar paraguaia Celeste Amarilla, que afirmou: "Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés. Um camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio", afirmou a parlamentar.
A fala foi repudiada por Mbappé, que respondeu através das redes sociais: "Você é uma mulher desprezível e indigna de sua função. Você não representa o Paraguai, esse país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição".
Histórico de
diversidade étnica
Apesar da pauta ter se tornado recorrente desde a última conquista da França, na Copa do Mundo de 2018, passou a existir a ideia equivocada de que a seleção francesa sempre foi de maioria 'branca' e formada apenas por 'franceses puros', no entanto, a França sempre teve jogadores descendentes de imigrantes em diversas gerações ao longo de sua história.
Dono de um recorde histórico e ainda não batido, Just Fontaine é o jogador com mais gols marcados em uma única edição de Copa do Mundo, quando balançou as redes 13 vezes na Copa de 1958. Sendo um dos jogadores mais importantes da história da França, Just Fontaine é nascido na cidade de Marrakesh, em Marrocos, quando o país ainda era colônia francesa.
Durante os anos 80, a França foi liderada por Michel Platini, protagonista da França em um dos jogos mais traumáticos da seleção brasileira, quando o jogador marcou o gol de empate para a França contra o Brasil pelas quartas de final da Copa do Mundo de 1986. E apesar de nascido na França, Platini é filho de imigrantes italianos.
Avançando para os anos 90, a França passou a ser reconhecida popularmente como 'Black, Blanc, Beur' (Em francês: negros, brancos e árabes). O slogan surgiu após a conquista da Copa do Mundo de 1998, e foi criada e entoada por torcedores para exaltar a diversidade e integração de descendentes de imigrantes no elenco campeão.
Entre estes jogadores, a França tinha jogadores como Lilian Thuram, pai de Marcus Thuram e nascido nas Ilhas Guadalupe; Youri Djorkaeff, nascido na França e filho de mãe armênia; Marcel Desailly, nascido em Gana e naturalizado francês; Patrick Vieira, nascido em Senegal e naturalizado francês; e Zinédine Zidane, nascido na França e filho de argelinos.
Mesmo com a diversidade da seleção francesa ao longo dos anos, Just Fontaine e Zidane nunca são tratados como 'não-franceses' atualmente por um simples motivo: Não são jogadores negros.
Em contrapartida, se criou uma imagem falsa de que a seleção sempre foi formada por jogadores brancos até a chegada desta geração atual, pautada em puro racismo e xenofobia contra jogadores que foram formados nas categorias de base do país desde jovens.
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