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Advogado de Volta Redonda‑RJ é dado como desaparecido na Ucrânia

Família do advogado Eduardo Torres de Almeida foi comunidada sobre o sumiço pelo Itamaraty e está desvastada

Advogado de
Volta Redonda‑RJ
é dado como
desaparecido
na Ucrânia
Eduardo tinha intenção de tinha retornar ao Brasil em outubro Crédito: Redes Sociais

A guerra entre a Ucrânia e Rússia refletiu diretamente na família de Fabrícia Mafra de Almeida, residente em Volta Redonda, sul do Estado do Rio, que recebeu um comunicado do Itamaraty dando o seu marido Eduardo Torres de Almeida como desparecido. Ele integrava as tropas de combate ucranianas, desde abril, quando deixou o Brasil e seguiu para o país da Europa. Na nota enviada aos familiares em 16 de julho, o Ministério das Relações Exteriores Itamaraty informa ter sido notificado sobre "desaparecido em combate" pelas autoridades ucranianas, por meio da embaixada brasileira em Kiev.

- Em casos em que as autoridades ucranianas reportam o falecimento comprovado ou o desaparecimento em combate de um brasileiro, a Embaixada do Brasil em Kiev, em coordenação com a Divisão de Comunidades Brasileiras e Assistência Consular do Itamaraty, em Brasília, comunica os familiares no Brasil a respeito do ocorrido e encaminha documento formulado pelo governo ucraniano a respeito de providências a serem tomadas pela família junto àquele governo - afirma a nota.

Manifestação nas redes sociais

O caso do morador de Volta Redonda alcançou as redes sociais, por meio de um vídeo divulgado por sua mulher: Ela relata ter sido contra a ideia do marido, que também é advogado e trabalhava com ela no mesmo escritório, ir para a Ucrânia e participara dos combates. "Eu nem acreditei, na verdade, que ele iria", afirma Fabrícia, referindo-se ao envolvimento de Eduardo na guerra.

A notícia a respeito do desaparecimento foi dada em primeira mão pelo G1, com entrevista, inclusive, da advogada, que depois não quis mais se manifestar. Ao site de notícias ela disse que Eduardo estava firme em sua decisão que, segundo ele próprio, era um sonho. Ainda de acordo com a reportagem, Fabrícia relatou que está devastada com o desaparecimento do marido. ela recordou ainda que ele tinha intenção de voltar para Volta Redonda-RJ em outubro deste ano.

Ministério esclarece sobre alistamento

O site do Itamaraty faz justamente um alerta para os riscos do alistamento voluntário em conflitos armados no exterior. "A assistência consular, nesses casos, pode ser severamente limitada pelos termos dos contratos assinados entre os alistados e as forças armadas de terceiros países", diz o texto. "Não há obrigatoriedade por parte do poder público para o pagamento de passagens ou o custeio de retorno de cidadãos do exterior", acrescenta a chancelaria.

Mais de quatro anos de conflito

A guerra entre Rússia e Ucrânia já dura mais de quatro anos e meio e se consolidou como um dos conflitos mais longos e devastadores da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A invasão em larga escala foi iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022, ampliando um confronto que já existia desde 2014, quando Moscou anexou a Crimeia e passou a apoiar grupos separatistas no leste da Ucrânia.

Desde o início da ofensiva, milhares de militares e civis morreram, milhões de ucranianos foram obrigados a deixar suas casas e cidades inteiras foram destruídas pelos combates. O conflito também provocou impactos globais, afetando os preços da energia, dos alimentos e de diversas commodities, além de aumentar as tensões entre a Rússia e os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Apesar de sucessivas tentativas de negociação e de propostas de cessar-fogo, os confrontos continuam em diferentes frentes de batalha. A Ucrânia segue recebendo apoio militar e financeiro de aliados ocidentais, enquanto a Rússia mantém sua ofensiva em áreas estratégicas do território ucraniano.