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Ações da CSN derretem na Bolsa após rebaixamento da Fitch e descrença do mercado

Queda ocorre após divulgação prévia do balanço semestral indicar aumento do prejuízo; investidores seguem céticos sobre o plano de redução da dívida

Ações da CSN derretem na Bolsa após rebaixamento da Fitch e descrença do mercado
Entrega de propostas para compra da CSN Cimentos termina no próximo dia 07; Votorantim Cimentos, em parceria com a italiana Cementir Holding, e a chinesa Huaxin, estão no páreo Crédito: Reprodução/CSN Cimentos

As ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) figurou, nesta segunda-feira, dia 03, entre as maiores quedas da Bolsa de Valores. Às 15h45min, os papéis despencavam 5,58%, cotados a R$ 4,57. Um dos motivos foi a divulgação prévia do balanço do primeiro semestre de 2026 da empresa que aponta prejuízo maior. O mercado reagiu negativamente aos números e continua cético com relação ao plano de redução da dívida do conglomerado. A Fitch Ratings rebaixou a longo prazo as notas de crédito da CSN e ainda manteve a observação negativa.

A avaliação da agência teve como pilar as incertezas em torno da estratégia de desalavancagem da empresa, que ainda não saiu do papel. O êxito do plano anunciado por Benjamin Steinbruch depende justamente da vendas de ativos no curto e no médio prazos para reduzir o endividamento.

CSN Cimentos

Outro ponto sensível envolvendo a CSN é sobre a entrega de propostas vinculantes para a venda da CSN Cimentos, que termina no próximo dia 07 de agosto. As principais interessadas na cimenteira são a Votorantim Cimentos, em parceria com a italiana Cementir Holding, e a chinesa Huaxin. O negócio envolve cifras da ordem de até R$ 16 bilhões, que serviriam justamente para aliviar o caixa da empresa.,

Cenário negativo

O mercado acendeu o alerta com relação à CSN ainda na quinta-feira, dia 03, quando foi divulgada uma operação para adiar o vencimento de parte da dívida internacional que a empresa possui de 2028 para 2030. No mesmo comunicado ao mercado, a Siderúrgica divulgou estimativas preliminares para o primeiro semestre de 2026 que apontam prejuízo maior, aumento da dívida e crescimento do nível de endividamento em relação ao início do ano.

Apesar da receita líquida estar em linha com o mesmo período de 2025, a perspectiva de uma das maiores siderúrgicas do país é diferente para o prejuízo líquido, que está previsto para atingir entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre. O prejuízo líquido no primeiro semestre de 2025 foi de R$ 861,9 milhões.

Algo similar está sendo projetado para a dívida bruta e a dívida líquida ajustada. A primeira, pela previsão da CSN, deve atingir R$ 54 bilhões, maior que os R$ 50,4 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Já a dívida líquida ajustada está prevista para R$ 44 bilhões, ante os R$ 40,5 bilhões de 2025.

Outros índices da saúde financeira da empresa, como o equivalente de caixa e o índice de alavancagem, devem ter aumentos leves e moderados, projeta a companhia.

Caixa sob pressão

Em relação ao vencimento da dívida, a CSN lançou uma proposta para renegociar US$ 1,3 bilhão (R$ 6,6 bilhões) em títulos de dívida emitidos no exterior, oferecendo novos papéis com vencimento em 2030 e pagamento parcial em dinheiro aos investidores. A estratégia pode reduzir a pressão sobre o caixa nos próximos anos, mesmo em um período curto de tempo.

Como incentivo para que os credores aceitem a operação, a empresa pagará até US$ 330 milhões (R$ 1,6 bilhão) em dinheiro e oferecerá títulos com juros de 11% ao ano, acima dos 6,75% ao ano pagos atualmente. Os credores podem aceitar ou não a proposta dentro do prazo da oferta, ainda não divulgado.

Plano de redução da dívida

Desde janeiro, a CSN trabalha para colocar em prática o plano de desalavancagem financeira e reorganização de negócios. Na ocasião, a apresentação do plano contou com a participação de diretores e de Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho de Administração e CEO da companhia.

-Vamos resolver de uma vez por todas a alavancagem da CSN. Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse -afirmou, na ocasião, Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho de Administração e CEO da companhia. Steinbruch, que já na época falou ainda que o nível de juros no país dificulta investimentos e pressiona o endividamento do Grupo CSN.

*Com informações da Folhapress