Correio da Manhã
Educação

Egresso do UniFOA cria plataforma de auxílio infantil

Egresso do UniFOA cria plataforma de auxílio infantil

Um egresso do curso de Sistemas de Informação do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), Pedro Lucas, desenvolveu o projeto "FalaAtípica": uma plataforma que utiliza jogos, imagens, sons e interações para apoiar crianças com atraso de fala.

A ideia surgiu de uma experiência pessoal: Pedro conviveu com uma criança da família que apresentava atraso de fala e, a partir desse contato, começou a pesquisar o tema e a pensar de que forma a tecnologia poderia contribuir para estimular a linguagem e a comunicação de maneira lúdica. "Eu tenho uma prima que apresentava atraso de fala. Hoje ela está muito bem, mas, naquela época, comecei a me perguntar: como funciona isso? O que realmente é o atraso de fala?", contou.

O atraso de fala pode estar associado a diferentes fatores e, em alguns casos, pode ser um dos primeiros sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, nem todo atraso de fala significa autismo. Por isso, a identificação e a intervenção precoce são fundamentais para ampliar as possibilidades de desenvolvimento da criança.

Foi nesse contexto que o FalaAtípica começou a ganhar forma. Mais do que um jogo, Pedro pensou o projeto como um ecossistema capaz de conectar crianças, familiares e profissionais. A proposta reúne uma aplicação para crianças, chamada Kids; uma aplicação para pais, responsáveis e tutores; uma aplicação para profissionais, como fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos, psicopedagogos e terapeutas; além de uma API responsável por permitir a comunicação entre essas frentes.

— O objetivon é dar voz a quem ainda não pode falar, ensinando por meio de sons, imagens, jogos e interações. Existe outro desafio importante: a falta de integração entre todas as pessoas que acompanham a criança. Não adianta oferecer uma ferramenta apenas para a criança se os pais não conseguem acompanhar o progresso e se os profissionais não recebem informações sobre o desempenho dela — explicou.

No aplicativo Kids, onde a criança brinca e aprende, o projeto conta atualmente com quatro jogos principais. O "Adivinha" trabalha vocabulário, reconhecimento de objetos e associação entre imagem, palavra e significado. O "Igual ou Diferente" estimula atenção e discriminação visual. O "Cena Certa" apresenta situações do cotidiano para desenvolver compreensão de frases, ações e relações espaciais. Já o "Jogo das Palavras" trabalha a construção e o reconhecimento de palavras por meio de letras e sílabas.

Todos os jogos seguem princípios de reforço positivo: quando a criança acerta, recebe mensagens de incentivo, animações e retornos visuais ou sonoros; em caso de dificuldade, o sistema oferece dicas graduais, sem punição ou constrangimento. A proposta é fazer com que o erro seja tratado como parte natural do aprendizado.

Enquanto a criança joga, o sistema registra informações como quantidade de acertos, tempo de atividade e categorias trabalhadas. Esses dados podem ser acompanhados pelos familiares e analisados pelos profissionais, permitindo uma visão mais completa do desenvolvimento da criança e aproximando o trabalho realizado em casa, na escola e no ambiente terapêutico.

Durante o desenvolvimento do projeto, o UniFOA teve participou na parte técnica e na construção da pesquisa, da documentação, da arquitetura do sistema, da experiência do usuário e do desenvolvimento de software. O FalaAtípica foi estruturado por Pedro como Trabalho de Conclusão de Curso, mas continuou evoluindo após a apresentação acadêmica. Pedro percebeu ainda que o FalaAtípica já não era apenas um trabalho acadêmico. Ao pesquisar soluções semelhantes, identificou que muitos aplicativos ofereciam apenas jogos ou estímulos isolados, sem integrar todos os envolvidos no acompanhamento da criança.

Os próximos passos incluem a finalização e validação dos jogos, estruturação do banco de dados definitivo, realização de testes com o público-alvo, desenvolvimento do módulo institucional e busca por investimento ou parcerias. A intenção é reunir uma equipe multidisciplinar, com profissionais de tecnologia, fonoaudiologia, psicologia, pedagogia e psicopedagogia.