Correio da Manhã
Educação

Aumento de alunos autistas pressiona rede de apoio escolar

Município mantém estrutura especializada para atender diferentes necessidades

Aumento de alunos autistas pressiona rede de apoio escolar

Por Agatha Amorim

O aumento no número de estudantes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem ampliado o debate sobre a oferta de profissionais de apoio escolar nas redes de ensino. Durante a apuração de uma reportagem sobre o tema, o Correio Sul Fluminense ouviu relatos de profissionais da área da educação inclusiva e de familiares que apontam dificuldades relacionadas ao acesso a esse suporte em algumas situações.

Em resposta aos questionamentos da reportagem, a Coordenação de Educação Especial de Volta Redonda explicou como funciona o processo de avaliação dos estudantes e a distribuição dos profissionais de apoio na rede municipal.

Atualmente, o município contabiliza 1.781 alunos com deficiência matriculados nas escolas da rede pública. Desse total, 1.235 possuem diagnóstico de TEA. Os números representam um crescimento expressivo em relação a 2021, quando Volta Redonda registrava 798 estudantes com deficiência, sendo 346 autistas.

Segundo a coordenadora de Educação Especial do município, Elizabeth Mello, o aumento da demanda tem sido constante. Apesar do crescimento dos diagnósticos, ela esclarece que o direito ao profissional de apoio escolar não é concedido automaticamente a todos os estudantes com TEA.

"O aluno é matriculado, apresenta o laudo e passa por uma avaliação pedagógica. É essa avaliação que vai indicar quais recursos serão necessários para o atendimento dele na escola", explicou.

Atualmente, a rede municipal conta com aproximadamente 520 profissionais de apoio escolar, entre servidores concursados e trabalhadores vinculados à empresa terceirizada responsável pelo serviço. A avaliação é realizada por uma equipe especializada no Centro-Dia de Atendimento à Pessoa com Deficiência (CAPD) e considera aspectos como autonomia, independência, alimentação, locomoção, comunicação e necessidade de auxílio nas atividades da vida diária.

Avaliação define necessidade de acompanhamento

A coordenadora destaca que o diagnóstico de autismo, por si só, não determina a necessidade de um profissional de apoio. Segundo ela, muitos estudantes acompanham o ensino regular de forma independente e não necessitam desse acompanhamento individualizado.

Segundo Elizabeth, uma das principais dúvidas das famílias está justamente relacionada aos critérios para concessão desse suporte.

"Muitas vezes existe a expectativa de que o laudo médico determine todos os atendimentos que o estudante deve receber. Mas a indicação do profissional de apoio é uma decisão pedagógica, baseada na avaliação realizada pela equipe técnica da Educação Especial", afirmou.

Para atender ao crescimento da demanda, a rede municipal ampliou sua estrutura nos últimos anos. Além das salas de recursos distribuídas em escolas da cidade, o município mantém unidades especializadas voltadas ao atendimento de diferentes públicos da Educação Especial.

Entre elas estão a Escola Municipal Especializada Dr. Hilton Rocha, referência regional no atendimento a pessoas com deficiência visual; a Escola Municipal Especializada Dayse Mansur da Costa Lima, voltada para estudantes com TEA nível 3 e outras comorbidades; e o Sítio-Escola Municipal Espaço Integrado do Autista (Semeia), destinado a jovens e adultos autistas.

A estrutura também inclui o Centro-Dia de Atendimento à Pessoa com Deficiência e o CAPD II Synval Mury Glória, inaugurado em 2023 no Siderópolis para ampliar o atendimento a pessoas com deficiência intelectual e autismo que necessitam de maior nível de suporte.

Para a coordenadora, o principal desafio é acompanhar o crescimento contínuo da demanda. "Os números aumentam todos os meses. É uma realidade que exige planejamento constante para que possamos garantir o atendimento adequado aos estudantes", concluiu.