Um equipamento contendo câmeras de captação de imagens desenvolvido pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB) para inspecionar os combustíveis nucleares nas piscinas dos reatores de Angra será utilizado pela primeira vez em uma operação real. A solução, criada por profissionais da empresa na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), em Resende (RJ), foi levada à Eletronucleare está sendo avaliada.
O sistema foi desenvolvido pela equipe de Serviços em Reator, da Gerência de Engenharia de Projeto do Combustível e de Serviços, a partir de uma necessidade identificada durante as inspeções visuais debaixo d'água dos combustíveis dentro do reator, realizadas com câmeras importadas. Essas atividades fazem parte da rotina dos Serviços em Reator durante as paradas de Angra 1, que acontecem aproximadamente a cada 15 meses, e de Angra 2, em intervalos de cerca de 13 meses. A proposta foi criar uma solução nacional, utilizando conhecimentos e recursos disponíveis no país.
A iniciativa também apresenta potencial de economia. Segundo estimativas levantadas pela equipe durante o desenvolvimento do projeto, uma câmera importada utilizada nesse tipo de atividade custa aproximadamente R$ 700 mil, considerando os valores de importação. Em uma aquisição anterior, três câmeras representaram um investimento de aproximadamente R$ 2 milhões. Já o equipamento desenvolvido pela INB teve custo estimado em cerca de R$ 120 mil, considerando os materiais utilizados no projeto.
O resultado foi o desenvolvimento de um conjunto de inspeção por câmera construído internamente, desde a estrutura até o sistema de controle e transmissão de imagens. "O conjunto utiliza uma estrutura de alumínio adquirida especificamente para o projeto e componentes de aço provenientes de materiais disponíveis que não seriam utilizados na fabricação do combustível nuclear. Cabos, conectores, componentes eletrônicos e um sistema de controle desenvolvido pela própria equipe completam a solução", explica Paulo José Dutra, engenheiro eletricista da INB.
O engenheiro acrescentou que, além do custo menor, o desenvolvimento interno permite que a equipe conheça todas as etapas de construção e especificação do equipamento, o que pode facilitar futuras manutenções e a substituição de componentes. Antes de chegar à Eletronuclear, a câmera passou por uma série de testes na própria INB. Os ensaios foram realizados em condições mais severas do que as previstas para a operação.
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