Economiia

Montadora japonesa entra no segmento de eletrificados

Fábrica de Resende recebeu 98 novos robôs e um sistema de reciclagem

Montadora japonesa entra no segmento de eletrificados
Unidade da Nissan em Resende passou por um ciclo de R$ 2,8 bilhões em investimentos entre 2023 e 2025 Crédito: Ana Luiza Rossi/CSF

A Nissan vai entrar no segmento de carros eletrificados no Brasil. O país faz parte do plano de expansão da montadora japonesa, que terá seis lançamentos na América Latina nos próximos 12 meses, sendo três com tecnologias híbridas ou puramente elétricas.

A confirmação foi feita nesta quinta-feira (20) por Iván Espinosa, presidente e CEO global da Nissan Motor Company desde abril de 2025. É o primeiro anúncio da marca para a região após a reestruturação que teve início em 2025, com demissões e fechamento de fábrica.

É a forma encontrada pela marca japonesa para enfrentar o avanço chinês na América Latina. Nesse cenário, o Brasil é o principal alvo de montadoras como BYD, GAC, Geely e GWM, entre outras.

"O crescimento chinês no Brasil é muito evidente e rápido, mas a China não é algo novo para nós, estamos lá há 20 anos, a venda de nossos modelos híbridos e elétricos cresceu 140% lá", disse Espinosa.

A China, portanto, é também parte da estratégia da marca japonesa para o mercado brasileiro, conforme confirmou o presidente da companhia.

Modelos desenvolvidos para aquele mercado chegarão às Américas, como o sedã 100% elétrico N7. A Nissan tem parceria com a Dongfeng, que também desenvolve veículos com o grupo Stellantis.

Espinosa disse que, apesar de as marcas chinesas avançarem rápido, a montadora japonesa tem a seu favor a experiência acumulada por décadas.

"Quais são as qualidades que temos? Para mim, é simples, são 90 anos produzindo automóveis, com uma cadeia forte de distribuição e milhões de clientes. A partir daí, estamos estruturando novas tecnologias autônomas e eletrificadas", afirmou o presidente da Nissan.

Espinosa disse ainda que essa experiência acumulada é fundamental para a aplicação dos recursos de IA (inteligência artificial) em seus produtos e processos. "O segredo da IA é o que a alimenta, e temos muito o que oferecer."

A Nissan registrou lucro de US$ 488 milhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado vem do plano Re: Nissan, um processo traumático implementado ao longo de 2025.

A empresa japonesa demitiu 20 mil funcionários no ano passado e fechou sete unidades fabris, reduzindo para dez o número de plantas.

A linha de produção brasileira não foi afetada pela reestruturação. Hoje, a planta produz em dois turnos, inclusive aos sábados, 28 veículos por hora. São montados os SUVs compactos Kicks e Kait.

No ano passado, a fábrica de Resende (RJ) recebeu 98 novos robôs e um sistema de reciclagem. A unidade passou por um ciclo de R$ 2,8 bilhões em investimentos entre 2023 e 2025.

Agora vem a implementação do plano Nissan Vision, com foco em tecnologias mais acessíveis para os consumidores, com soluções customizadas para cada mercado de atuação. O que está sendo desenvolvido pela marca na China é fundamental nessa nova estratégia.

Na América Latina, a Nissan tem 749 distribuidores e mais de 20 mil colaboradores. Há quatro fábricas, sendo uma em Resende e outras três no México. Ao todo, 87% dos veículos comercializados na região são produzidos nessas linhas de montagem.

Desde 2023, foram vendidas 1 milhão de unidades nos 39 mercados latino-americanos em que a empresa atua. Este ano marca o início da operação unificada na região. Para o Brasil, a novidade confirmada para este ano é o Nissan X-Trail, que retornará ao mercado com a tecnologia híbrida e-Power.