Economiia

Mauro Campos recorre à Justiça após retirada de candidatura

Empresário aponta que decisão do partido ocorreu sem direito de defesa

Mauro Campos recorre à Justiça após retirada de candidatura
Suposta interferência no diretório estadual do partido teria provocado desistência do partido pela candidatura de Mauro Crédito: Divulgação

O empresário de Volta Redonda Mauro Campos Pereira pretende recorrer à Justiça para apurar as circunstâncias que levaram o Novo a retirar sua candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro. A decisão do diretório estadual do partido foi comunicada ao empresário, na quinta-feira (13), menos de três dias da data para o início oficial da campanha. Segundo Mauro, ele não teve direito de defesa antes de ser informado de que seu nome não seria registrado pela legenda. Ele diz ainda que teria sido pressionado a deixar sua candidatura.

Mauro compartilhou em suas redes sociais uma reportagem publicada pelo Diário do Rio, que apontou que os deputados federais Marcel van Hattem e Luiz Lima teriam atuado junto à direção estadual do Novo para retirar sua candidatura. A publicação aponta ainda que a movimentação teria como objetivo beneficiar o deputado federal Carlos Jordy (PL), também na corrida ao Senado.

Proposta à Câmara Federal

Em entrevista ao Correio Sul Fluminense, Mauro afirmou que começou a desconfiar da situação depois de perceber que sua candidatura não havia sido registrada. Na semana passada, ele teria recebido uma recomendação para abrir mão da disputa ao Senado e concorrer a deputado federal. Segundo o empresário, a proposta incluía uma compensação financeira para o financiamento de sua campanha, mas recusou a possibilidade.

"Não aceitei. Não aceitei de maneira nenhuma. Achei isso como natural da velha política e fiquei ofendido", disse, acrescentando que a legenda temia que sua permanência na disputa provocaria um eventual 'efeito cascata' sobre candidaturas de outros estados, como no Sul.

Após receber a sugestão, viajou a Brasília para participar de um movimento pela tramitação de processos de impeachment de ministros da Corte, ao lado de deputados e senadores. Foi durante sua passagem pela capital federal que representantes do Novo o convidaram para conversar sobre a situação. Mauro classificou a reunião como "acalorada", mas afirmou que compreendeu que havia uma 'conjuntura adversa'. Dias depois, foi comunicado pelo diretório estadual, por meio de chamada de vídeo, de que sua candidatura não seria registrada.

- Me comunicaram isso, não me deram o direito de defesa. A decisão foi como uma facada nas costas.

Partido divulga nota

Em nota divulgada, o Novo RJ afirmou que decidiu não lançar candidatura própria ao Senado Federal nas eleições de 2026. Segundo o partido, a definição foi tomada conjuntamente pela Executiva Estadual e pelo Diretório Nacional, a partir da análise do cenário eleitoral e do diálogo com lideranças da legenda no estado.

De acordo com o Novo, a estratégia é considerada a mais adequada para fortalecer o campo da direita no Rio de Janeiro nas eleições de 2026 para o Senado. O partido também agradeceu a Mauro Campos por ter colocado seu nome à disposição e reconheceu seu "compromisso e disposição ao longo de todo o processo".

Em relação ao anúncio feito por Mauro que entrará na Justiça, o partido afirma que atuará perante à Justiça Eleitoral para que a decisão política, tomada pelas instâncias estadual e nacional, prevaleça, como deve ser em casos como esse.

Vagas do Rio ao Senado

Nas eleições de 2026, 16 candidatos concorrem às duas vagas destinadas ao Estado do Rio no Senado. Os eleitos exercerão mandato de oito anos, com início em 2027 e término em 2035.

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026. Na disputa para o Senado, não há segundo turno: serão eleitos os dois candidatos que obtiverem o maior número de votos válidos.