Economiia

CPI do Jockey convoca Steinbruch e aumenta pressão sobre clube de SP

Além do presidente da CSN, Marconi Perillo e Abrão Assam Filho também foram chamados para explicar a gestão, os débitos tributários e os negócios imobiliários do clube

CPI do Jockey convoca Steinbruch e aumenta pressão sobre clube de SP
Requerimentos foram apresentados pelo presidente da comissão, vereador Gilberto Nascimento Crédito: Douglas Ferreira/Câmara São Paulo

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Jockey Club da Câmara Municipal de São Paulo aprovou, nesta terça-feira, dia 11, convites para que membros do conselho fiscal e da presidência do clube prestem esclarecimentos. Entre eles, Benjamin Steinbruch, que comanda a Companhia Siderúrgica Nacional e já presidiu o Jockey Club. Foram convidados ainda o ex-governador e atual candidato ao governo de Goiás, Marconi Perillo, e Abrão Assam Filho, membro efetivo do Conselho Fiscal do Jockey. Perillo é ex-membro do Conselho de Administração da instituição.

A CPI investiga a regularidade fiscal e imobiliária das atividades do Jockey Club de São Paulo, a gestão de débitos tributários, a alienação de potencial construtivo e a atuação do Poder Público. Os requerimentos foram apresentados pelo presidente da comissão, vereador Gilberto Nascimento (PL), que destacou a possibilidade de solicitar a prorrogação dos trabalhos da CPI, instalada no ano passado:

-Acredito que essa prorrogação vá acontecer sim. Dividimos a CPI em três fases, é um entendimento combinado entre os vereadores e o presidente da Casa, porque primeiro ouvimos aqueles que apresentaram denúncias ao Jockey Club, num segundo momento esgotamos todos os nomes da Prefeitura e agora nesta terceira fase vamos ouvir diretores financeiros, esse é o ponto que queremos chegar - disse.

Ainda segundo ele, "a CPI busca efetivamente que o Jockey possa sentar nas cadeiras da Câmara Municipal para provocar um ajuste de contas e um efetivo pagamento para a cidade de São Paulo".

Também participaram da sessão desta terça-feira, dia 11, os vereadores Sansão Pereira (Republicanos), Guilherme Corrêa (União Brasil), Roberto Tripoli (PV) e Kenji Ito (Podemos).

Representantes de empresas prestaram esclarecimentos

No início de junho deste ano, a CPI realizou ouviu representantes de empresas que possuem vínculo com o Jockey por meio de contrato de restauro, como a Construtora Biapó, Elysium Sociedade Cultural e Partifib Projetos Imobiliários. O primeiro a depor foi Manoel Garcia Filho, sócio e fundador da Construtora Biapó. A empresa atua no mercado especializado voltado ao restauro artístico e de edificações históricas há 35 anos. Ele afirmou durante o encontro não possuir qualquer relação com o Jockey Club e que conhece representantes da Elysium Sociedade Cultural, empresa investigada por emitir nota duplicada em contratos com o clube da cidade.

"Eles não me indicaram, me contrataram para realizar trabalhos no Jockey. Os serviços foram executados ao longo de dois anos e por meio de três contratos: março a abril de 2020 - valor de R$ 1,2 milhão para o restauro da tribuna dos sócios; R$ 681 mil entre fevereiro de 2021 a setembro 2022; e o contrato para os salões sociais no valor de R$ 3,4 milhões em 2022. A empresa executou integralmente o projeto, temos os atestados técnicos, sem qualquer apontamento da falta de serviços" disse.

Família Steinbruch

Na sequência, participou Fernando José Moniz de Câmara, representante da Partifib Projetos Imobiliários Consolação, empresa da família Steinbruch. Diretor de Projetos e Construção, ele deixou claro não poder responder a alguns questionamentos por ser de uma área técnica da empresa e não estar à frente das negociações com o Jockey Club.

-Eu participava dos comitês de aquisição, compra de terreno, e dentro de uma viabilidade do negócio era mais um detalhe, não era relevante se se pagaria outorga ou se compraria TDC. Minha preocupação eram os dados técnicos, além da rentabilidade e custos envolvidos. Pagamos cerca de R$ 17 milhões por TDCs - disse, na ocasião.

Segundo Fernando, em dezembro de 2019, o Jockey recebeu R$ 9 milhões da Partifib Projetos Imobiliários e quem presidia o Jockey Club de São Paulo era Benjamin Steinbruch. O diretor entendeu não haver conflito de interesses e acredita que o Jockey, como entidade, deveria se explicar.

Contratos com o Jockey

Por fim, foi ouvida Giulyane Nogueira Gomes, representante legal da Elysium Sociedade Cultural e responsável pelos contratos com o Jockey Club. Na época, ela participou de forma remota e explicou que trabalhou por 12 anos na empresa, mas deixou o cargo de diretora-executiva no começo do ano por motivos pessoais.

"O Wolney [proprietário da Elysium] não tinha nenhuma ligação com o pessoal do Jockey, mas como eu não participava de reuniões, prefiro que ele responda aos questionamentos. A empresa era patrocinada pela CSN [Companhia Siderúrgica Nacional] - cujo presidente é Benjamin Steinbruch. A gente tinha uma planilha orçamentária dentro do Ministério da Cultura e cada rubrica precisava ser gasta como estava descrita. Não tenho conhecimento de verba relacionada ao TDC. Nossa responsabilidade era administrar os recursos aprovados via Lei Federal", detalhou.