Economiia

Ações da CSN Mineradora sobem após anúncio de recompra

Conselho de Administração aprova programa de recompra de até 50 milhões de ações

Ações da CSN Mineradora sobem após anúncio de recompra
CSN Mineração é um dos braços do conglomerado de Benjamin Steinbruch Crédito: Sarah Torres/ALMG

Conselho de Administração aprova programa de recompra de até 50 milhões de ações

O presidente do Grupo CSN, Benjamin Steinbruch, teve que lançar mão de um artíficio para tranquilizar o mercado que está cétido com relação aos planos anunciados pelo empresário. Nesta quarta-feira, dia 20, foi anunciado um programa de recompra das ações de até 50 milhões de papéis ordinários da CSN Mineração, um dos braços do conglomerado. Resultado: as ações da mineradora reagiram e subiram no Ibovespa, após fortes quedas que tinham sido registradas ao longo da semana, em virtude da baixa do minério de ferro.

De acordo com informações do Fato Relevavante publicado pela empresa, o período de aquisições dos papéis começou nesta quarta-feira (20) e segue até 19 de novembro de 2027. O comunicado informa ainda que a finalidade é "comprar as ações para permanência em tesouraria e posterior alienação ou cancelamento".

O que é a recompra

Trata-se de um movimento que sinaliza ao mercado que a empresa confia no próprio negócio. Ou seja: a empresa compra de volta, no mercado, ações que ela mesma colocou à venda anteriormente. Na prática, a companhia passa a ser dona de parte das próprias ações. Empresas como Petrobras ou Vale, por exemplo, costumam anunciar programas de recompra quando avaliam que seus papéis estão baratos ou querem melhorar indicadores financeiros.

Os principais objetivos da recompra são:

*Valorizar as ações: com menos papéis circulando no mercado, a tendência é aumentar o valor de cada ação.

*Transmitir confiança: a empresa sinaliza que acredita no próprio potencial. *Melhorar indicadores financeiros: como o lucro por ação (LPA).

*Usar caixa excedente: em vez de distribuir todo o dinheiro em dividendos.

'Cereja do bolo'

A CSN Mineração é um dos negócios mais promissores do Grupo. A mineradora registrou lucro líquido de R$ 222,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 357 milhões apurado no mesmo período de 2025, conforme balanço divulgado em meados de maio.

Segundo a empresa divulgou na ocasião, o resultado foi sustentado pelo aumento da produção própria e pela manutenção dos preços do minério de ferro em patamares elevados, apesar dos impactos da variação cambial e das fortes chuvas sobre os volumes embarcados.

Já o Ebitda ajustado (indicador que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização da mineradora) somou R$ 1,419 bilhão no 1T26, leve queda de 0,5% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada alcançou 44,9%, representando expansão de 2,0 pontos percentuais frente ao quarto trimestre de 2025 (4T25) e de 3,0 pontos percentuais em relação ao 1T25.

De acordo com a CSN, o desempenho foi favorecido pela manutenção dos preços em níveis elevados, que compensou a pressão dos custos de frete, além da melhora no mix de produtos exportados, com maior participação de produção própria.

A receita líquida ajustada totalizou R$ 3,165 bilhões, queda de 7,2% na base anual, refletindo exclusivamente a variação cambial, já que volumes e preços permaneceram em níveis semelhantes, informou a empresa.

Entre as maiores exportadoras de minério

A CSN Mineração é uma das maiores exportadoras de minério de ferro do Brasil. A empresa atua principalmente em Minas Gerais, com destaque para a mina Casa de Pedra, em Congonhas.

Só para se ter uma ideia da importância da mineradora, em 2025, a companhia registrou o melhor desempenho operacional de sua história. A receita líquida ajustada chegou a R$ 15,3 bilhões, com EBITDA de R$ 6,4 bilhões e margem operacional de 42,1%. O lucro líquido anual ficou em cerca de R$ 1,6 bilhão.

A CSN Mineração vendeu 45,8 milhões de toneladas de minério de ferro somente em 2025, consolidando-se como a segunda maior exportadora do país no setor.