Correio da Manhã
Economiia

Etapa de projeto ferroviário que liga Minas até Angra é aprovado

Concessão foi organizada em dois lotes para atrair operadoras de menor porte

Etapa de projeto ferroviário que liga Minas até Angra é aprovado

O primeiro chamamento público para autorizar a exploração da infraestrutura do Corredor Minas-Rio, que liga as cidades de Varginha (MG) até o Porto de Angra dos Reis (RJ) foi aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em reunião na última quinta-feira (07). O processo segue para análise do Tribunal de Contas da União (TCU), que deve ser avaliada nos próximos 30 dias.

São mais de 740 quilômetros de malhas ferroviária que ligam as cidades mineiras de Arcos, Lavras e Varinha até os municípios do interior do Estado do Rio, Barra Mansa e Angra dos Reis. Os trechos, que ainda estão inoperantes, vão viabilizar o transporte de carga de insumos agrícolas e minerais. Com a ativação, será agilizado o escoamento de commodities provenientes das cidades mineiras.

Vale lembrar que o sul de Minas é a principal região produtora do país, responsável por mais de um terço do café brasileiro. A ferrovia permitiria ligar essa produção diretamente ao litoral fluminense, pelo porto de Angra dos Reis, uma alternativa logística ao escoamento tradicional feito por rodovias e portos mais congestionados, como o de Santos (SP).

Sobre o contrato

O contrato, que autoriza a prestação de serviço em regime privado para gestão da infraestrutura ferroviária, estabeleceu um prazo de 99 anos com uma outorga simbólica de R$1 real, justamente para viabilizar a atração do setor privado.

A concessão foi organizada em dois lotes: o primeiro, que liga Iguatama (MG) a Barra Mansa (RJ), com cerca de 625,8 quilômetros de extensão, com ramal entre Varginha e Lavras; já o segundo lote, faz a conexão entre as regiões do Vale do Paraíba até a Costa Verde do Estado do Rio, com cerca de 107 quilômetros que ligam Barra Mansa a Angra dos Reis, com acesso ao porto.

Segundo o diretor-relator da ANTT, Alessandro Baumgartner, o modelo também servirá de referência para outros 10 mil quilômetros ferroviários que estão em processo de devolução no país. "Podem não interessar a grandes operadoras, mas certamente interessa a empresas privadas de menor porte com cargas e rotas específicas", afirmou. As informações são do Diário do Comércio.

Interesse regional

Em 2025, o prefeito de Angra dos Reis, Cláudio Ferreti, foi até Brasília (DF) justamente para tratar da linha férrea que, na época, havia passado por um diagnóstico preliminar que apontou segmentos aproveitáveis do trecho que podiam ser recuperados.

Segundo o prefeito, entre os benefícios da reativação da linha ferroviária estaria a geração de empregos, o aumento da arrecadação, o escoamento do café do sul de Minas e o transporte de calcário. O projeto também é aguardado para impulsionar o turismo ferroviário, com a volta do Trem da Mata Atlântica voltado ao transporte de passageiros.

No início daquele ano, em janeiro, o interesse pelo retorno do trem turístico mobilizou quase todas as prefeituras do interior do Sul Fluminse. O encontro contou com as presenças do prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto; de Barra Mansa, Luiz Furlani; de Quatis, Aluísio D'Elias; de Rio Claro, Babton Biondi; de Angra dos Reis, Claudio Ferreti; e de Piraí, Luiz Fernando Pezão.

Na mesma reunião, o então assessor da presidência da Fecomércio, Delmo Pinho, destacou sobre o impacto positivo no desenvolvimento econômico da região com a reimplantação. "Nossa região será realmente um espetáculo na questão da logística de carga e de passageiros também. Onde a logística é boa e econômica são atraídas muitas indústrias e empresas", destacou, na época.