Um dos maiores símbolos das artes plásticas do Sul Fluminense e do Brasil, Clécio Penedo, tem seus 90 anos de nascimento celebrados em uma exposição sediada no Centro Cultural Fundação CSN, em Volta Redonda. 'Quem dá as cartas?', construída com curadoria de Ana Letícia Penedo e Ayrton Costa, reúne rascunhos e obras finalizadas do artista, reconhecido por relacionar, de forma irreverente, fatos históricos, figuras brasileiras e símbolos da cultura pop em suas obras. Disponível para visitação até 28 de agosto, a mostra renova o legado de Clécio para novas gerações e demonstra a atemporalidade de seu olhar.
O poder tem cartas marcadas
A base principal da exposição é a série "Baralho", desenvolvida pelo artista em 1987. Encomendada pela Fundação Nacional Pró-Memória, a obra transforma as tradicionais cartas de baralho em referências ao período imperial brasileiro: as figuras convencionais de reis, rainhas e valetes dão lugar a personalidades como Dom Pedro I e II, Teresa Cristina, Deodoro da Fonseca, Duque de Caixas, Princesa Isabel, e vários outros. Além do baralho em si, cada arte também está exibida em tamanho grande, acompanhadas de seus rascunhos - ou estudos.
A mostra também traz trabalhos e rascunhos de outras séries de Clécio. O tema que permeia a curadoria é o contraste entre poderosos e subordinados: as figuras dominantes da sociedade, como a realeza, empresas, nações e celebridades têm sua soberania retratada ao lado da sociedade civil. As referências escolhidas por Clécio, que partem de um repertório construído ao longo do século 20, ainda conseguem ser diretamente relacionadas com vivências sociopolíticas dos tempos atuais; algo capaz de causar a identificação e conexão imediata do público com as mensagens propostas.
Quem deve visitar a exposição: o público amante de obras de arte maximalistas, cheias de detalhes, cores e referências. O processo criativo de Clécio se baseia, em muitos momentos, em processos de colagem; mesmo quando as obras são desenhadas à mão. As imagens escolhidas para a mostra remetem, principalmente, às tendências modernistas e da pop art, repletas de implicações sociais relacionadas diretamente a políticos e empresas. A reflexão social é acompanhada de uma grande diversão visual.
Obras que se destacaram
para o Correio para além
da série 'Baralho':
"VW", 1980: exibindo um trecho de reportagem que glorificava os avanços de produção da Volkswagen na Amazônia, a obra protagoniza as três partes impactas diretamente pela ação da empresa: os povos indígenas, o gado bovino e a flora local.
"USA USADO", 1980: em um trocadilho com o significado de "USA" (sigla de Unites States Of America, ou Estados Unidos) na língua portuguesa, Clécio satiriza a dominação imposta pela nação estadunidense em outros povos (sobretudo, nos originários).
"Anormal/Autorretrato", 1978: um estudo gráfico do artista sobre si mesmo.
Documentário "És Tupi do Brasil": exibido como parte final da mostra, o filme produzido pelo jornalista Pedro Henrique Reis conta com depoimentos de familiares, amigos e estudiosos próximos do artista, revelando aspectos de sua vida e obra. O documentário terá um dia de exibição independente no próprio centro cultural, em 12 de agosto, às 19h; será promovida, também, uma roda de conversa com o diretor e os curadores da exposição.
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