Cidades

Inteligência artificial ganha espaço em projetos pedagógicos e na gestão escolar

Rede municipal conta com sete escolas equipadas com salas temáticas e recursos digitais

Inteligência artificial ganha espaço em projetos pedagógicos e na gestão escolar
Professores e alunos utilizam ferramentas digitais em atividades de Geografia, robótica e biodiversidade Crédito: Geraldo Gonçalves

A inteligência artificial (IA) vem sendo utilizada em atividades pedagógicas e administrativas da rede municipal de ensino de Volta Redonda. As iniciativas incluem a criação de materiais didáticos, projetos de robótica e ferramentas para auxiliar o planejamento dos professores e a organização das escolas.

Na Escola Municipal Walmir de Freitas Monteiro, a tecnologia foi incorporada às aulas de Geografia por meio de um álbum virtual de figurinhas sobre os países participantes da Copa do Mundo. A proposta foi desenvolvida pelo professor Daniel Lacerda, que aproveitou o interesse dos estudantes pela troca de figurinhas para trabalhar conteúdos geográficos e culturais.

Com o auxílio do Gemini, ferramenta de inteligência artificial do Google, o professor pesquisou referências para compor as imagens. Os alunos também participaram da elaboração dos materiais, aprendendo a formular comandos para gerar as figurinhas. Segundo Lacerda, a atividade estimulou a participação da turma e levou os estudantes a realizar tarefas além das inicialmente previstas.

O projeto também abriu espaço para discutir os limites da tecnologia. Para o professor, é necessário que os alunos compreendam que as ferramentas podem cometer erros e que as informações produzidas precisam ser verificadas.

A inteligência artificial também integra as atividades da equipe Tecnobots, formada por estudantes da mesma escola. O grupo se prepara para disputar, em 20 de outubro, um campeonato no Rio de Janeiro com o tema biodiversidade. Para a competição, os alunos desenvolveram um kit de ciência cidadã para coletar e apresentar dados sobre as condições ambientais nas escolas do município.

Os estudantes Pedro Henrique Moreira de Assis e Davi Souza, ambos de 14 anos, explicaram que utilizaram a IA para transformar dados coletados pelos dispositivos em informações mais acessíveis. Entre os parâmetros considerados estão temperatura, pressão do solo e umidade.

Organizar e interpretar

A ferramenta ajuda a organizar os registros e interpretar as condições do ambiente monitorado. Davi destacou, porém, que depender exclusivamente da inteligência artificial poderia prejudicar a compreensão do projeto. Para ele, é necessário conhecer o funcionamento dos recursos utilizados e entender os resultados.

Além das experiências pedagógicas, a Secretaria Municipal de Educação (SME) estuda a aplicação da IA em atividades administrativas, como a organização de informações e a elaboração de documentos. Diretor da escola e integrante da equipe de Tecnologia e Inovação da secretaria, Felipe Nóbrega afirmou que as iniciativas ainda estão em fase de experimentação, com o objetivo de avaliar estratégias para outras unidades.

A secretaria também analisa documentos normativos sobre inteligência artificial, em alinhamento com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Computação. Estão previstas ações de formação para professores, com orientações sobre o uso das ferramentas, aspectos éticos e aplicação dos recursos no ensino.

Para dezembro, a escola prevê apresentar projetos desenvolvidos pelos estudantes com apoio da IA. A proposta é ampliar o debate sobre os efeitos da tecnologia no bairro, na cidade e na sociedade.

A rede municipal conta com salas temáticas equipadas com Smart TVs, notebooks, Chromebooks e mobiliário móvel em sete escolas que atendem aos anos finais do ensino fundamental: Dr. Jiulio Caruso, Nilton Penna Botelho, Paulo VI, Prefeito José Juarez Antunes, Rubens Machado, Tocantins e Walmir de Freitas Monteiro.

Volta Redonda foi o primeiro município do estado do Rio e o quinto do Brasil a receber o selo Google for Education.