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Cães passam a participar de atividades pedagógicas com estudantes com autismo

Atividades incluem exercícios de comunicação, identificação de cores, sequências e interação social

Cães passam a participar de atividades pedagógicas com estudantes com autismo
Cães atuam como mediadores da aprendizagem em atividades planejadas pelas equipes da escola e do BAC Crédito: Geraldo Gonçalves

A cidade de Volta Redonda deu início, na última semana, um projeto de Educação Assistida por Animais na Escola Municipal Especializada Professora Dayse Mansur da Costa Lima. A iniciativa é realizada pela prefeitura em parceria com o Batalhão de Ações com Cães (BAC), da Polícia Militar, e atende estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que necessitam de suporte intensivo.

Nesta primeira etapa, 26 alunos com idades entre 6 e 18 anos e diagnóstico de TEA nível 3 de suporte participam das atividades, realizadas com as turmas do turno da tarde. Os encontros ocorrerão semanalmente, às quartas-feiras, em sessões com duração aproximada de 30 minutos para cada turma.

Os cães Ben e Bali, adquiridos pela prefeitura para o trabalho de cinoterapia, participam das atividades conforme escala, disponibilidade e avaliação do serviço. A proposta é utilizar os animais como mediadores em situações de aprendizagem, com atividades planejadas pelas equipes do BAC e da escola de acordo com as necessidades e os objetivos pedagógicos de cada estudante. O projeto não substitui atendimentos clínicos ou terapêuticos.

Segundo a capitã-veterinária Vivian Gomes Ferreira de Almeida, responsável técnica pelo serviço de cinoterapia do BAC, o trabalho marca a primeira experiência do batalhão com Educação Assistida por Animais em uma escola.

"Na Escola Dayse Mansur, estamos fazendo a Educação Assistida por Animais pela primeira vez. O cão de apoio educacional entra como uma ferramenta a mais no aprendizado, contribuindo para a interação, a conexão e a segurança das crianças", explicou.

A capitã também destacou que a proposta prevê acompanhamento contínuo, diferentemente de visitas pontuais de cães a unidades de ensino. "Serão encontros semanais, com planejamento pedagógico e acompanhamento da evolução dos alunos", afirmou.

A diretora da unidade, Renata Lopez, avalia que a experiência pode contribuir para o desenvolvimento e a autonomia dos estudantes, especialmente nas interações sociais e no contato com animais domésticos.

"Nossos alunos têm muita dificuldade de interagir e de ter contato com animais domésticos. Estamos com uma expectativa muito boa de que essa experiência seja um grande avanço para a vida prática e a funcionalidade deles", disse.

O secretário municipal da Pessoa com Deficiência, Washington Uchôa, comentou a iniciativa. "O BAC traz ao Dayse Mansur esse trabalho pedagógico com as crianças, e o município segue sendo pioneiro", afirmou.

O secretário municipal de Educação, Osvaldir Denadai, destacou a relação do projeto com as ações de inclusão na rede de ensino. "Estamos criando novas possibilidades para que nossos estudantes aprendam, se comuniquem e desenvolvam sua autonomia de maneira significativa e respeitando as características de cada um", ressaltou.

Atividades pedagógicas

As sessões são adaptadas ao perfil e ao nível de desenvolvimento de cada aluno. Entre os objetivos estão estimular a comunicação funcional, verbal ou não verbal, a atenção, a participação, a cooperação e a interação social. O planejamento também contempla habilidades como discriminação visual, categorização, sequenciação, noções iniciais de quantidade, seguimento de instruções e autonomia.

As atividades podem incluir comandos simples, identificação de cores e formas, associação de objetos, números e quantidades, construção de sequências e contação de histórias.