Com o início das férias escolares, o aumento da prática de empinar pipas faz crescer também a preocupação com o uso de cerol e, principalmente, da linha chilena, material proibido que representa risco à segurança de motociclistas, ciclistas, pedestres, animais e à rede elétrica. Diante desse cenário, o programa Linha Verde, do Disque Denúncia, lançou a campanha "Perigo no Ar, linha chilena não", com foco na conscientização da população e no incentivo às denúncias sobre fabricação, comercialização e utilização desses materiais.
A linha chilena é produzida com uma mistura de quartzo moído e óxido de alumínio, o que lhe confere um poder de corte até quatro vezes superior ao do cerol tradicional. Por isso, é considerada um dos materiais mais perigosos utilizados em linhas de pipa, podendo provocar acidentes graves e até fatais.
Neste ano, dois casos registrados no estado chamaram atenção para os riscos. Em abril, o administrador de empresas Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos, morreu após ter o pescoço atingido por uma linha chilena enquanto conduzia uma motocicleta entre as ruas Cerqueira Daltro e Gaspar Viana, no bairro de Cascadura, na capital fluminense. No mesmo mês, o motociclista Felipe Soares, de 35 anos, sofreu um acidente na Pavuna depois que uma linha chilena atingiu sua cabeça. O impacto foi suficiente para rasgar a estrutura do capacete e provocar um corte na testa. Ele foi socorrido, encaminhado ao hospital e recebeu cerca de dez pontos no ferimento.
Segundo o Disque Denúncia, o período de férias escolares concentra um aumento do risco devido ao maior número de crianças, adolescentes e adultos empinando pipas em áreas urbanas, muitas vezes próximas a vias de grande circulação.
Os números registrados pelo programa Linha Verde no primeiro semestre de 2026 mostram a dimensão do problema. Entre janeiro e junho, foram cadastradas 448 denúncias relacionadas à produção, comercialização e uso de cerol e linha chilena.
O levantamento também mostra que, ao longo de 2025, o programa contabilizou 1.203 denúncias envolvendo linha chilena e cerol, o maior número já registrado pela iniciativa. De acordo com o Disque Denúncia, os dados indicam que o comércio clandestino desses materiais continua presente, ocorrendo em pequenos estabelecimentos, armarinhos e também por meio das redes sociais.
Além da fiscalização, a campanha busca conscientizar pais e responsáveis sobre a importância de acompanhar os materiais utilizados pelas crianças durante a brincadeira. O objetivo também é ampliar a participação da população no combate à circulação da linha chilena por meio de denúncias anônimas.
"O período de férias escolares é um momento de diversão e convivência em família. Precisamos garantir que esses momentos não sejam interrompidos por imprudências. Nossa campanha tem como objetivo conscientizar a população sobre os riscos do uso da linha chilena. Nos últimos três anos, registramos acidentes fatais relacionados a esse produto. É fundamental que a população denuncie o uso e a comercialização da linha chilena, para que possamos impedir que essa triste estatística continue a crescer", afirmou o diretor-geral do Disque Denúncia, Renato Almeida.
As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos telefones (21) 2253-1177 e 0300 253 1177, ambos com WhatsApp anonimizado, pelo aplicativo Disque Denúncia RJ, pelo site do Disque Denúncia e pela página oficial do programa Linha Verde no Facebook. As informações podem envolver locais de fabricação, armazenamento, comercialização ou uso frequente de linha chilena e cerol.
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