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Alunos do IFRJ fazem ato contra crime cibernético

Alunos do IFRJ fazem ato contra crime cibernético
Manifestação pede por rigor na condução do caso Crédito: Divulgação

Alunos do campus Volta Redonda do IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro) se reuniram em uma manifestação contra um crime cibernético cometido dentro da instituição na manhã desta segunda-feira (29). Segundo informações do Grêmio Estudantil, que fez parte da organização do ato, um aluno produziu mais de 500 imagens de teor sexual envolvendo outras estudantes do IFRJ, por meio de inteligência artificial. Nenhuma das alunas consentiu a produção deste conteúdo. O material foi encontrado em um computador institucional do laboratório de informática do campus, na conta do suspeito. De acordo com membros do grêmio estudantil, a mobilização foi organizada para cobrar uma reação "firme" da diretoria do IFRJ para punir o autor das imagens e garantir a segurança das alunas.

 

As medidas tomadas até o momento

As medidas tomadas até o momento
Foi encontrado conteúdo sexual com imagem de alunas Crédito: Divulgação

O Grêmio Estudantil informou à redação que, até o momento, foi aplicada uma suspensão preventiva de cinco dias ao acusado, e o caso seguirá em avaliação pela comissão disciplinar da instituição. A equipe do grêmio defende que a atitude do estudante deveria ser passível de expulsão. "Não podemos manter o aluno na mesma sala das vítimas, não é seguro para elas conviver no mesmo ambiente de uma pessoa que tenha cometido tais atos".

Suposta falta de seriedade da diretoria

O presidente do Grêmio Estudantil, Gabriel, relata que, na visão do corpo estudantil, a direção do IFRJ não pareceu considerar o caso como "grave"; em reação a isso, os alunos decidiram levar o caso a público e se mobilizar a favor das vítimas. "São meninas, são adolescentes, são mulheres que não devem ser expostas em situação nenhuma, em nenhuma hipótese devem sofrer de tal exposição. (...) O que aconteceu foi um crime, e não uma simples brincadeira de adolescente", acrescentou Gabriel.

Apoio prestado às possíveis vítimas

Gabriel também esclareceu que, até o momento, a diretoria da instituição não ofereceu apoio psicológico ou algum tipo de orientação jurídica às vítimas, pontuando que alguns vereadores da cidade e o Núcleo de Gênero e Diversidade interviram na situação. Um boletim de ocorrência já foi registrado na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) e está em apuração.

Pronunciamento

Em nota divulgada nas redes sociais, a direção do campus afirmou repudiar quaisquer atos de misoginia, violência de gênero e crimes cibernéticos que atentem contra a dignidade, a privacidade e os direitos de integrantes da comunidade acadêmica. A direção acrescenta que as denúncias serão "rigorosamente apuradas" por autoridades competentes.

Pronunciamento II

O Correio Sul Fluminense entrou em contato com a diretoria para esclarecer se haverá maior rigor nas medidas administrativas aplicadas ao aluno, questionando ainda se haverá mudanças na fiscalização dos conteúdos gerados e circulados nos computadores institucionais. Não houve retorno até o fechamento desta edição.

Pedido dos estudantes

O Grêmio Estudantil do IFRJ também pede que a condução do caso seja feita com transparência e seriedade. "Situações dessa natureza devem ser tratadas com a seriedade que exigem, garantindo acolhimento às possíveis vítimas, preservação das provas, respeito ao devido processo legal e responsabilização".

Discussão sobre IA

A possibilidade do uso de inteligência artificial, ou "IA", para a criação de conteúdo sexual sem o consentimento da pessoa retratada na imagem já é alvo antigo de discussão. Em dezembro de 2025, a redação conversou com Catharina Doria, que é especialista em ética de IA, e um de seus alertas abordou, justamente, a criação de pornografia não autorizada.

Discussão II

Catharina explicou que, atualmente, a produção de pornografia pode ser feita a partir do momento em que o criador tenha acesso à fotos e vídeos da vítima. Ela aponta que as ferramentas de IA generativa disponíveis já estão "bem desenvolvidas", oferecendo diferentes ferramentas para simular realidade.

Medida legal

Atualmente, o Congresso Nacional estuda, pelo menos, três projetos de lei que combatem o uso de IA na criação de pornografia não consentida; um deles é específico a crianças e adolescentes. Outros crimes tipificados, como a violência psicológica contra a mulher, passaram a ter pena agravada caso sejam associados ao uso de IA.