Cidades

Liderança feminina ganha espaço no ENIC 2026

Correio Sul Fluminense acompanhou bastidores e debates do evento

Liderança feminina ganha espaço no ENIC 2026

Por Agatha Amorim

Entre corredores movimentados, auditórios cheios e debates sobre os rumos da construção civil no Brasil, empresários do Sul Fluminense participaram, na última semana, da edição 2026 do Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC), realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo. O Correio Sul Fluminense acompanhou a caravana organizada pelo Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário do Sul Fluminense (Sinduscon-SF), em parceria com a FIRJAN, que levou dezenas de associados ao evento considerado um dos maiores da construção civil na América Latina.

Durante os três dias de programação, entre terça-feira (19) e quinta-feira (21), lideranças empresariais, representantes do poder público, especialistas e profissionais do setor circularam pelos espaços do ENIC para discutir temas ligados ao presente e ao futuro da construção civil. A programação reuniu painéis sobre inovação, produtividade, sustentabilidade, gestão, políticas públicas, desenvolvimento econômico e transformação do mercado.

Além das palestras e discussões técnicas, o evento também foi marcado pelo networking entre empresários, troca de experiências e aproximação com tendências que vêm impactando o setor em todo o país. Integrantes da caravana do Sul Fluminense acompanharam debates sobre competitividade, novas práticas de gestão e os desafios enfrentados pela indústria da construção em diferentes regiões do Brasil.

Entre os encontros que mais chamaram atenção do público esteve o painel "Construção Com Elas: Estratégia, Escala e Futuro", realizado na terça-feira (20), que colocou em pauta a presença feminina nos espaços de liderança da construção civil e os desafios enfrentados pelas mulheres no setor.

O debate contou com a participação da presidente do Sinduscon-SF, Elissandra Candido, entidade responsável pela organização da caravana regional ao ENIC; da vice-presidente de Responsabilidade Social e presidente da Comissão de Responsabilidade Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ana Claudia Gomes; e da especialista em diversidade e inclusão da CSN, Larissa Garbelini.

Durante o painel, as participantes discutiram temas ligados à equidade de gênero, desenvolvimento profissional, gestão de pessoas e transformação cultural dentro da cadeia produtiva da construção civil. A conversa também abordou a baixa participação feminina em cargos de liderança e a necessidade de ampliar espaços ocupados por mulheres dentro das empresas e entidades do setor.

Em sua participação, Elissandra Candido destacou que a presença feminina na construção civil precisa ser tratada não apenas como uma pauta social, mas também como estratégia de desenvolvimento para o segmento.

"Não estamos falando apenas de inclusão. Estamos falando de estratégia, inovação e futuro. A construção civil transforma cidades e economias, mas também precisa transformar suas próprias estruturas internas. Cada mulher que ocupa um espaço de liderança abre caminhos para outras mulheres e fortalece o setor como um todo", afirmou.

Dados apresentados durante o debate mostram que, embora as mulheres representem 51% da população brasileira, elas ocupam apenas 11,5% da força formal de trabalho da construção civil e menos de 5% das presidências de entidades associadas à CBIC.

Outro ponto apresentado no painel foi o Projeto Elas Constroem, iniciativa voltada à inclusão e capacitação feminina na construção civil. Segundo os números divulgados durante o encontro, o programa já contabiliza 257 mulheres matriculadas, 216 concluintes e 48 contratações efetivadas.