Por Agatha Amorim
A medida provisória publicada pelo governo federal que zera o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50 deve reduzir os preços de produtos vendidos em plataformas estrangeiras e estimular novamente o consumo online entre brasileiros. A avaliação é da economista Sonia Vilela, que também aponta possíveis impactos para o comércio local e para pequenas e médias indústrias nacionais.
A chamada "taxa das blusinhas" ganhou repercussão nacional após a cobrança de impostos sobre compras internacionais de pequeno valor em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. Na terça-feira (13), o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou uma medida provisória zerando o imposto de importação para encomendas de até US$ 50. O ICMS, no entanto, continua sendo cobrado. Segundo o governo federal, a medida busca reduzir custos para consumidores e simplificar as regras para compras internacionais de pequeno valor.
Para Sonia Vilela, a decisão deve provocar impacto direto no comportamento de consumo dos brasileiros, principalmente entre pessoas que costumavam fazer compras frequentes em plataformas internacionais antes da implementação da taxa.
Segundo a economista, os produtos importados de baixo valor tendem a ficar mais baratos com a retirada da cobrança federal, apesar da manutenção do ICMS e da influência do dólar sobre os preços finais dos produtos.
"Os produtos importados de baixo valor agregado passam a ficar mais baratos. Porém, se a taxa de câmbio continuar a desvalorizar, essa redução de preços tende a aumentar", afirmou.
Ela acredita que a tendência é de retomada das compras em plataformas internacionais, principalmente no caso de produtos populares vendidos por menos de US$ 50.
A especialista também destaca que o impacto da medida deve ir além do consumo. Segundo ela, a redução da taxação pode aumentar o volume de vendas online e movimentar setores ligados à logística e aos fretes, que cresceram junto com a popularização das plataformas digitais de importação nos últimos anos.
Retomada das compras
A nutricionista Beatriz Ferreira contou que reduziu bastante as compras em plataformas internacionais após a implementação da taxa. Consumidora frequente de sites estrangeiros ela conta que passou a evitar os aplicativos depois que os preços finais começaram a subir.
Segundo Beatriz, muitos produtos considerados baratos deixaram de compensar financeiramente por causa do aumento no valor total das compras.
"Meus carrinhos ficavam cheios, mas eu desanimava em pagar tanta taxa e desistia", relatou.
Ela afirma que chegou a fazer algumas compras pontuais no último ano, mas em quantidade muito menor do que costumava comprar anteriormente.
Com a nova medida anunciada pelo governo federal, a nutricionista diz que pretende voltar a utilizar os aplicativos de compras internacionais.
"Já até comemorei", disse, aos risos. "Essa nova decisão facilita as compras e posso voltar a comprar meus produtos baratinhos finalmente."
A moradora de Volta Redonda Sarah Santos também afirma que diminuiu as compras em plataformas internacionais após a implementação da taxa. Ela conta que passou a priorizar apenas produtos considerados realmente vantajosos e chegou a deixar as compras online de lado durante um período. Após a implementação da taxa, passou a dar preferência ao comércio local.
"Literalmente parei de comprar coisas online durante um tempo. Dei preferência para comprar coisas aqui na cidade mesmo", contou.
Comércio e indústria
De acordo com Sonia Vilela, a implementação da chamada "taxa das blusinhas" havia sido defendida principalmente por setores da indústria nacional e do comércio varejista, que argumentavam existir concorrência desleal entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras.
Segundo a economista, a cobrança ajudava não apenas na arrecadação do governo federal com o imposto de importação, mas também na arrecadação estadual e municipal por meio do ICMS — imposto que continua sendo cobrado mesmo após a medida provisória.
Ela afirma ainda que pequenas e médias indústrias brasileiras podem ser prejudicadas com a redução da taxação, já que muitas empresas nacionais enfrentam dificuldades para competir com os preços praticados por plataformas internacionais.
"A indústria enfrenta custos internos altos, com carga tributária e taxa de juros draconiana", afirmou.
Para Sonia, lojas populares e segmentos ligados ao setor têxtil também podem perder competitividade diante do aumento das compras internacionais.
"As vitoriosas são as plataformas digitais", avaliou.
A economista afirma ainda que a implementação da taxa foi resultado de pressão da indústria nacional, mas acabou enfrentando forte rejeição. Em sua avaliação, o desgaste popular da medida pode ter influenciado a decisão do governo federal de rever a cobrança em um período pré-eleitoral.