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Três Rios concentra maioria das mortes violentas no Centro‑Sul, aponta Firjan

Estudo analisou indicadores de segurança pública entre 2015 e 2025

Três Rios concentra maioria das mortes violentas no Centro‑Sul, aponta Firjan
Firjan defende políticas regionalizadas para combater os diferentes crimes Crédito: Arquivo/Agência Brasil

O município de Três Rios concentrou a maior parte dos casos de letalidade violenta registrados no Centro-Sul Fluminense na última década e liderou também as ocorrências de estelionato na região em 2025. Os dados fazem parte do Panorama de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015-2025, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), com base em informações do Instituto de Segurança Pública (ISP).

Segundo o levantamento, entre janeiro de 2015 e dezembro de 2025, 56.838 pessoas morreram no estado do Rio de Janeiro em decorrência de homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínios e mortes por intervenção de agentes do Estado. O total supera a população de 56 dos 92 municípios fluminenses. No Centro-Sul Fluminense, a taxa de letalidade violenta em 2025 foi de 24,5 casos por 100 mil habitantes, acima da média estadual, de 22,6.

Com cerca de 82 mil habitantes, Três Rios respondeu por entre 43% e 70% de todos os registros de letalidade violenta da região ao longo da série histórica. Após atingir o pico de 48 casos em 2019 e cair para 14 em 2023, o município voltou a registrar alta, encerrando 2025 com 31 ocorrências e taxa de 37,6 por 100 mil habitantes. Paty do Alferes também aparece em destaque, com 11 casos e taxa de 35,1. Juntas, as duas cidades concentraram 69% de todas as ocorrências regionais no ano passado.

Golpes digitais

O estudo também destaca o avanço dos crimes de estelionato, especialmente os ligados a fraudes digitais. Em 2025, o Centro-Sul Fluminense contabilizou 1.586 ocorrências, um crescimento de 767% em relação a 2015.

Três Rios concentrou aproximadamente 42% dos casos da região, com 667 registros e taxa de 810,3 ocorrências por 100 mil habitantes, acima da média estadual. Miguel Pereira apresentou a maior taxa da região, de 977,2, enquanto Paraíba do Sul contabilizou 271 registros e Paty do Alferes, 125.

Segundo a Firjan, em municípios como Três Rios e Miguel Pereira, onde as taxas ultrapassam 800 casos por 100 mil habitantes, os golpes digitais deixaram de ser episódios isolados e passaram a representar um problema estrutural.

Para a Firjan, o aumento dos golpes digitais acompanha a popularização do Pix e do comércio eletrônico, tornando as fraudes digitais um desafio permanente. O presidente da entidade, Luiz Césio Caetano, afirma que analisar apenas os números consolidados do estado pode esconder realidades distintas entre as regiões.

Já o gerente-geral de Estudos e Estratégias da Firjan, Isaque Ouverney, defende a criação de fóruns regionais para monitorar indicadores e planejar ações conjuntas, além do fortalecimento das investigações de crimes digitais e do combate ao crime organizado. O estudo completo está disponível no Observatório Firjan.