Correio da Manhã
Serrano

Câmara de Friburgo mantém veto da Prefeitura no "PL Isadora"

Executivo sustenta alegação que escolha não apresenta consenso na comunidade

Câmara de Friburgo mantém veto da Prefeitura no "PL Isadora"
Veto foi mantido por 11 votos e 8 contra Crédito: Câmara de Friburgo

A Câmara Municipal de Nova Friburgo manteve o veto da Prefeitura ao projeto de lei que daria o nome da recém-inaugurada Unidade de Atendimento de Urgência e Emergência de Lumiar a Isadora Cardoso, que faleceu aos oito anos em 2025. Dos 21 parlamentares, 11 votaram pela manutenção do vento e 8 pela derrubada do veto.

O Executivo manteve o argumento de que a homenagem não era um consenso na comunidade e sugeriu uma consulta pública, mencionando que associações locais preferiram homenagear uma figura histórica do distrito, o Sr. Dirceu Spitz.

Essa medida da Prefeitura, foi tomada após a Associação de Moradores e Amigos de Lumiar (AMA), encaminhar um ofício relatando que após ouvirem os moradores constataram que há uma parcela da população inserida na comunidade alegando que a escolha realizada não reflete o consenso geral, gerando divergências e insatisfação entre os moradores.

Votaram pela manutenção do veto: Angelo Gaguinho (PL), Bruno Silva (MDB), Carlinhos do Kiko (PL), Cascão do Povo (Podemos), Claudio Leandro (PL), Isaque Demani (PL), Janio de Carvalho (União Brasil), José Carlos Schuabb (União Brasil), Rômulo Pimentel (Podemos), Tia Karla (Republicanos) e Wallace Piran (PL).

Votaram pela derrubada: Cláudio Damião (PT), Evandro Miguel (MDB), Ghabriel do Zezinho (Solidariedade), Joelson do Pote (PDT), Maiara Felício (PT), Maicon Gonçalves (Mobiliza), Marcos Marins (PSD) e Max Bill (MDB).

O projeto que previa homenagear a menina Isadora, foi aprovado na Casa Legislativa por 15 votos a favor e dois contra. Com o veto, Cláudio Damião (PT) que é o autor do projeto, argumentou que a homenagem representava memória histórica, combate ao descaso na saúde e um rompimento com o apagamento sistemático das lutas das mulheres e meninas da região. Familiares e moradores de Lumiar presentes no plenário também protestaram e contestaram as justificativas do Executivo.

"A mesma Lumiar que viu Isadora nascer viu a vida dela ser ceifada precocemente. O que tirou a Isadora de nós foi a falta de socorro médico, foi o erro médico, foi a negligência vestida de jaleco e a omissão de um sistema público falho. Hoje, quando os senhores votam para colocar o nome de Isadora na unidade de urgência e emergência de Lumiar, estamos fazendo um movimento que vai muito além de uma placa de bronze", disse.

A morte de Isadora Cardoso, de apenas oito anos de idade, em dezembro de 2025, acendeu o debate sobre a precarização da saúde no município e trouxe à tona a demora na entrega do posto de Lumiar, onde a menina residia.

A criança faleceu após ser atendida duas vezes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Conselheiro Paulino e mandada de volta para casa em ambas as ocasiões. Com a piora do quadro clínico, foi transferida para o Hospital Municipal Raul Sertã, localizado a cerca de 30 km de distância do bairro de origem. No entanto, a ambulância que atendia a região estava com defeito. O trajeto precisou ser realizado no carro da família, mas Isadora não resistiu ao traslado.