Operação Contenção

Um ano após Operação Contenção, Frente Penha promove ato de memória na comunidade

Ato reúne movimentos sociais, moradores e familiares em homenagem às vítimas e na cobrança por direitos básicos nas favelas

Um ano após Operação Contenção, Frente Penha promove ato de memória na comunidade
Familiares choraram os mortos pela Operação Contenção Crédito: Tomaz Silva / Agência Brasil

Nesta quarta-feira (28), movimentos sociais, familiares e moradores realizam um ato de memória e manifesto na Praça de São Lucas, na Penha. Organizado pela Frente Penha, o evento marca um ano da Operação Contenção, corrida em 2025 no Complexo da Penha, que deixou 122 pessoas mortas na Zona Norte carioca. A mobilização busca denunciar a violência de Estado, prestar acolhimento às vítimas e pedir mais investimentos públicos em saúde e educação para a população das favelas, reforçando a luta coletiva por garantia de direitos e paz nos territórios.

"Nossa comunidade que é tão violentada precisa de ser vista com olhos de cuidado. Sobretudo as mulheres, crianças e jovens negros, que tem seus direitos violados diariamente. Queremos mais cuidado, educação e saúde pra população de favela”, conta Evelin Dias, assistente social e membro da gestão da Frente Penha.



Movimento denuncia dados sobre violência

A chacina ocorrida em 28 de outubro de 2025 no Rio de Janeiro, não foi uma exceção, mas é ainda a realidade cotidiana de diversas regiões de favelas e periferias no Estado: apenas na Baixada Fluminense, como revela o relatório “Operações policiais na Baixada Fluminense/RJ”, feito pela Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, ocorreram 5.298 operações entre 2020 e 2025 que resultaram em quase 300 mortos, 700 feridos, 5.783 presos e 41 adolescentes apreendidos.

Os números das operações e da violência policial nessas áreas precisam ser vistos além da territorialidade, mas também pela lente racial: de acordo com o estudo “Pele alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, realizado pela Rede de Observatórios de Segurança, o Rio de Janeiro registrou 800 mortes decorrentes de intervenções policiais em 2025; desse número, 88,6% das vítimas eram pessoas negras (588 pessoas).

O ato promovido pela Frente Penha, nesse sentido, resgata a memória de todos e todas que tiveram seus filhos, irmãos, companheiros, amigos e pais vítimas da violência promovida por agentes do Estado, como ferramenta de resistência e luta contra esse cotidiano vivido por estas populações.

Programação tem cestas básicas, caminhada e arte

O evento começa com um almoço comunitário promovido pela Frente Penha e parceiros no território. À tarde, com início às 14h, acontece o ato mais importante, a caminhada pelas principais vias do bairro e a distribuição de cestas básicas para as famílias da comunidade.

Ademais, o ato contará também com depoimentos de coletivos de incidência e acolhimento de famílias impactadas pela violência de Estado, como o Mães de Maio, Mães de Manguinhos e Projeto Fênix.

Além disso, o espaço também receberá manifestações artísticas de música, dança e poesia de artistas locais como forma de reafirmar a vida e o bem viver nos territórios, unir e acolher a comunidade. A leitura de uma carta de repúdio da comunidade contra a violência do Estado e uma roda de capoeira e de jongo também acontecerão durante o evento.

No dia, a comunidade será recebida em um espaço de acolhimento com serviços de cuidado, saúde e informações. Para as crianças será montada uma área de recreação com brinquedos infláveis e pula-pula.

A programação se encerra com soltura de balões em memória aos mortos na Operação Contenção, apresentação musical e falas de acolhimento

A programação do dia acontece com o apoio da Redes da Maré, Pronasci Juventude, Clínica da Família Felipe Cardoso, Rede GHC de Assistência Humanizada às Mulheres em Situação de Violência do Hospital Geral de Bonsucesso, Open Society Foundations, Fórum do Alemão, Centro de Integração na Serra da Misericórdia, Arte Transformadora, Semeando e Colhendo Amizades, Amigos da Zona da Leopoldina, Instituto de Ação Social de Esporte e Educação (IASESPE), Coletivo Arte, Memória e Ancestralidade (AMA), Fênix, O Parque é Nosso (OPEN), Instituto Papo Reto, Casa Fluminense e Justiça Global.