Rio de Janeiro

MPE pede rejeição da candidatura de Márcio Canella, preso pela Polícia Federal

Segundo deputado estadual mais votado no Rio nestas eleições, ex-prefeito do Belford Roxo foi preso pela 8ª fase da Operação Unha e Carne

MPE pede rejeição da candidatura de Márcio Canella, preso pela Polícia Federal
Márcio Canella, pré-candidato ao Senado no Rio, está entre os alvos da operação da PF Crédito: Alerj

O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barre a candidatura de Márcio Canella, deputado estadual eleito no primeiro turno das eleições deste ano no Rio. O ex-prefeito de Belford Roxo foi preso no último dia 15 pela Polícia Federal na 8ª fase da Operação Unha e Carne. 

Em parecer enviado ao TSE nesta sexta-feira (23), o MPE disse que há provas suficientes de que o político possui envolvimento com a milícia e o tráfico.

O vice-procurador-geral eleitoral (vice-PGE), Alexandre Espinosa, sustenta que o TSE já consolidou entendimento para impedir que políticos ligados com o crime organizado participem das eleições, havendo ou não condenação transitada em julgado (em que não cabe mais recurso).

Espinosa pede ao TSE a reforma da decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), que havia liberado a candidatura sem ter acesso às provas do Inquérito nº 5.020/DF, em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque o sigilo do processo foi retirado pela Corte somente este mês, após a prisão de Canella.

O vice-procurador defende que o TSE leve em consideração, para barrar a candidatura, as provas do inquérito que apontam Canella como articulador político no esquema criminoso dos combustíveis. No processo, há indícios de que ele influenciou a indicação de cargos na cúpula da segurança pública para favorecer o grupo criminoso, além de receber dinheiro em espécie proveniente do esquema.

O MPE apontou os indícios do envolvimento de Canella com milícias. Como deputado estadual na Alerj, ele empregou em cargo comissionado de seu gabinete, até 2023, a esposa de um líder da milícia conhecida como "Bonde do Jura".

Quando assumiu a prefeitura de Belford Roxo, em 2025, ele voltou a nomear para duas secretarias líderes de milícias da região, diz o documento. Um deles já tinha sido condenado pela Justiça pelo crime de constituição de milícia e o outro respondia à processo por extorsão e porte ilegal de arma, tendo sido posteriormente condenado. Ambos participaram da campanha de Canella nas eleições deste ano.

Segundo a Procuradoria-Geral Eleitoral, também há ainda indícios de que, como prefeito, ele lançou a Operação "Barricada Zero" para a remoção os obstáculos colocados em vias pelo tráfico de drogas. Entretanto, conforme aponta o parecer, a ação contava era possível através de acordos informais com o Comando Vermelho. 

"É possível afirmar, portanto, a existência de elementos seguros e convergentes que demonstram não apenas a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por intermédio do candidato, como também o apoio eleitoral ostensivo por elas prestado à sua campanha e a sua atuação destacada como articulador de organização criminosa armada", diz Espinosa.