A Operação Backbone, ocorrida nesta segunda-feira e que mirou o monopólio de internet do Comando Vermelho, apreendeu quase R$ 800 mil em espécie nos endereços dos envolvidos com a quadrilha. Vinte pessoas foram presas, entre elas Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca, mãe e irmão do rapper Oruam.
De acordo com a PF, foram encontrados R$ 753.767,50, 2.956 dólares (aproximadamente R$ 14.862) e 3.725 euros (cerca de R$ 20.900). Também foram apreendidos 14 carros de luxo, joias e relógios de grife, seis armas, munições, além de outros eletrônicos e documentos.
A investigação encontrou registros contábeis da própria facção que indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha. "A exploração do serviço tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção", diz a polícia.
As apurações revelaram, ainda, que Márcio Santos Nepumuceno, o Marcinho VP, um dos principais líderes do CV, preso há quase três décadas e atualmente em presídio federal, continua controlando as atividades empresariais exploradas, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção.
A investigação aponta que os lucros chegavam à família de Marcinho por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão – pagos em dinheiro vivo – e criptoativos.
"Os investigados responderão pelo crime de domínio social estruturado, que pune grupos que empregam violência, grave ameaça e coação para impor controle territorial e social, intimidar populações, reprimir autoridades e atacar serviços essenciais. Além do domínio social estruturado, os investigados poderão responder por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro, além de outros crimes que podem ser revelados no decorrer das apurações".
Além dos familiares de Marcinho VP, foi preso também o vereador Fabio Silva (Podemos), que tem o Complexo do Chapadão como seu reduto eleitoral. Ele foi preso em Londrina, no Paraná, onde foi participar de um casamento.
Os agentes cumpriram 20 dos 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Também foi determinado o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas em questão, entre provedores de internet, produtoras de eventos, empresa de contabilidade e empresas de fachada que eram utilizadas pelo grupo nas práticas criminosas.
Preso em operação viva em casa de luxo na Barra da Tijuca
Um dos alvos da operação da PF foi preso em uma casa de alto padrão em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.
Entre os confortos que a residência proporciona estão piscina, uma jacuzzi, lareira. Um elevador com vidro dava uma vista panorâmica da rua enquanto se deslocava pelos andares da casa.
Menu