A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta segunda-feira (19), a mãe e o irmão do rapper Oruam, durante a Operação Backbone, que mira o monopólio de fornecimento de internet da facção Comando Vermelho nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense. Outras 18 pessoas foram presas, entre elas o vereador Fabio Silva (Podemos).
Os agentes cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). Foram apreendidas uma enorme quantidade em dinheiro ainda não contabilizados, relógios de luxo, armas e um veículo.
Também foi determinado o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas em questão, entre provedores de internet, produtoras de eventos, empresa de contabilidade e empresas de fachada que eram utilizadas pelo grupo nas práticas criminosas.
Segundo as investigações, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a "internet do tráfico". Os provedores autorizados pela facção pagam mensalmente uma "tarifa" pelo direito de operar nas regiões dominadas pelos criminosos.
"A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para a cassação e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados por tais empresas, com a adoção de providências para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das localidades afetadas", diz a PF.
Atividade representa mais 40% da arrecadação da facção
De acordo com a PF, registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha. "A exploração do serviço tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção", diz a polícia.
As apurações revelaram, ainda, que Márcio Santos Nepumuceno, o Marcinho VP, um dos principais líderes do CV, preso há quase três décadas e atualmente em presídio federal, continua controlando as atividades empresariais exploradas, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção.
A investigação aponta que os lucros chegavam à família de Marcinho por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão – pagos em dinheiro vivo – e criptoativos.
"Os investigados responderão pelo crime de domínio social estruturado, que pune grupos que empregam violência, grave ameaça e coação para impor controle territorial e social, intimidar populações, reprimir autoridades e atacar serviços essenciais. Além do domínio social estruturado, os investigados poderão responder por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro, além de outros crimes que podem ser revelados no decorrer das apurações".
A ação de hoje acontece no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal e que visa combater organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, dentro das diretrizes estabelecidas pelo STF na ADPF 635.
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