Rio de Janeiro

Justiça Federal mantém prisões de Márcio Canella e Marcus Amim

Eles e outros seis alvos presos, inspetores da Polícia Civil, são apontados como membros de quadrilha que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões

Justiça Federal mantém prisões de Márcio Canella e Marcus Amim
Justiça manteve prisões de Márcio Canella, deputado estadual eleito, e delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil Crédito: Montagem Correio da Manhã / Divulgação

A Justiça Federal manteve, nesta sexta-feira, as prisões de Márcio Canella, deputado estadual eleito, e o ex-secretário da Polícia Civil, delegado Marcus Amim, durante audiência de custódia. Ambos estão presos na Cadeia José Frederico Marques, em Benfica.

Também seguirão presos os inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira. Todos foram presos pela Polícia Federal durante a Operação Unha e Carne 8. 

As ordens de prisão foram do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).  Segundo a PF, o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões, de acordo com Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).

As investigações apontam que a quadrilha armada utiliza uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro.

A Justiça determinou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas que eram ligadas à rede de lavagem de dinheiro, conforme aponta a investigação. Dessas, 96 são postos de combustíveis usados para camuflar e legalizar dinheiro de origem criminosa.

Márcio Canella foi o segundo deputado estadual mais votado no Rio de Janeiro nestas eleições. Ele obteve 197.178 votos em todo o estado. Antes disso, ele foi prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, eleito em 2024. Entretanto, ele renunciou no começo deste ano, para concorrer inicialmente a um cargo ao Senado.

O político já havia cumprido mandatos como vereador e vice-prefeito da cidade na gestão de Waguinho. Ele também foi deputado estadual por outros dois mandatos na Alerj, sendo em 2022 o mais votado no estado, com 181 mil votos.

Marcus Amim era delegado de carreira e em 2023 assumiu seu primeiro cargo político, quando foi nomeado por Cláudio Castro como presidente do Detran-RJ. Em outubro do mesmo ano, foi nomeado secretário de Polícia Civil. A chegada ao posto foi polêmica, ocorrida após uma manobra da Alerj, que modificou o artigo 16 da Lei Complementar 204, a Lei Orgânica da Polícia Civil.

Carro e joias de luxo, 33 armas e cerca de R$ 90 em espécie apreendidos

A Polícia Federal informou, nesta sexta-feira, um balanço atualizado das apreensões realizadas durante a operação que prendeu Canella e Amim. O número expõe o alto volume financeiro movimentado pelos alvos.

Foram apreendidos 20 veículos de luxo, 49 joias e relógios de grife, 14 celulares e cerca de R$ 90 mil em espécie, parte deste dinheiro (R$ 40 mil) foram encontrados escondidos dentro da adega de uma residência em Camboinhas, região nobre de Niterói. Também foram apreendidas ?33 armas e munições, e documentos.

Os locais onde foram cumpridos as ordens judiciais contra os acusados também impressionam. Os agentes estiveram em imóveis de luxo e alto padrão em Icaraí, Camboinhas, em Niterói; Itaipava, na Região Serrana; e em Angra dos Reis, na Costa Verde.

Uma cobertura em Camboinhas, de cerca de 540 metros quadrados, é avaliada em R$ 2,2 milhões. A residência possui sete quartos, cinco suítes, seis banheiros e cinco vagas na garagem, e tem vista para a praia de Camboinhas. O imóvel está à venda em sites de imóveis.

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Cobertura de R$ 2,2 milhões em Camboinhas, Niterói, de um dos investigados pela Polícia Federal | Foto: Divulgação / Polícia Federal