Rio de Janeiro

Investimentos em Caxias começam a mudar o destino do esgoto que chega à Baía de Guanabara

Novo sistema de saneamento vai impedir que mais de 29 milhões de litros de esgoto sejam lançados diariamente nos rios da região

Investimentos em Caxias começam a mudar o destino do esgoto que chega à Baía de Guanabara
Rio Farias, em Duque de Caxias, faz parte da bacia hidrográfica da Baía de Guanabara Crédito: Divulgação/ Águas do Rio

Em Campos Elíseos, Duque de Caxias, a Creche e Pré-Escola Susana Naspolini convive com uma realidade comum a muitos bairros da Baixada Fluminense: um canal de esgoto que transborda em períodos de chuva intensa. Para quem trabalha ali, a preocupação vai além dos transtornos causados pela água acumulada. O receio é com os impactos na saúde e na segurança das crianças, que precisam conviver com os efeitos desse problema.

É nesse território que começa a avançar uma das principais obras de esgotamento sanitário de Duque de Caxias. A Águas do Rio iniciou a implantação do Coletor em Tempo Seco (CTS), sistema que terá capacidade de impedir que mais de 29 milhões de litros de esgoto cheguem diariamente ao Rio Farias, que deságua na Baía de Guanabara. O volume equivale a cerca de 11 piscinas olímpicas por dia.

Para Ana Carolina de Souza, educadora da creche, a mudança esperada vai garantir um ambiente seguro para as crianças aprenderem e se desenvolverem. "Investir em saneamento é também investir na saúde dessas crianças, na tranquilidade das famílias e em melhores condições para toda a comunidade", afirma.

Com investimento de mais de R$ 300 milhões, o projeto contará com 54 pontos de captação em tempo seco, 11 estações de bombeamento e a construção de uma nova Estação de Tratamento de Esgoto. Ao todo, serão beneficiados cerca de 170 mil moradores de Parque Fluminense, Chácaras Arcampo, Pilar, Campos Elíseos, Jardim Nossa Senhora do Carmo, Cângulo, Jardim Primavera, Jardim Rosário e Saracuruna.

Uma obra quase invisível

A concessionária vai instalar cerca de 22 quilômetros de redes de esgoto. Em 9,8 quilômetros desse percurso, serão usados os chamados "tatuzinhos", equipamentos que avançam pelo subsolo enquanto permitem a instalação das tubulações.

A tecnologia, também empregada em obras de metrô, reduz a necessidade de abrir grandes valas nas ruas. Na prática, isso significa menos interferência no trânsito, no comércio e na rotina de quem vive ou circula pelos bairros atendidos.

"Estamos ampliando a infraestrutura de esgotamento uma tecnologia que permite avançar com as obras de forma mais eficiente e com menos impactos para a população. Com menos esgoto nos rios e canais, os moradores ganham em saúde, qualidade de vida e valorização imobiliária", completa Samuel Augusto, diretor-executivo da Águas do Rio.

De Caxias para a Baía de Guanabara

O efeito da obra ultrapassa os limites do município. O Rio Farias integra a rede de cursos d'água que chega à Baía de Guanabara. Por isso, retirar esgoto desse caminho significa atuar também na recuperação de um dos principais ecossistemas do estado.

Até 2033, a Águas do Rio prevê investir R$ 19 bilhões em saneamento nas 27 cidades do estado onde atua. Desse total, R$ 2,7 bilhões serão destinados à expansão dos coletores em tempo seco, capazes de impedir que cerca de 1,3 bilhão de litros de água contaminada com esgoto por dia cheguem à Baía. A expectativa é beneficiar aproximadamente 10 milhões de pessoas, ao todo.