Correio da Manhã
Rio de Janeiro

20 mil mudas são plantadas às margens da Baía de Guanabara

Iniciativa também retirou 450 toneladas de lixo e ajuda a recuperar floresta nativa

20 mil mudas são plantadas às margens da Baía de Guanabara
O mutirão aconteceu no entorno da Estação de Tratamento de Esgoto Alegria Crédito: Divlgação

Após décadas de acúmulo de lixo e degradação ambiental, uma nova paisagem surge no Caju, Zona Portuária do Rio de Janeiro. Às vésperas do Dia Mundial de Proteção aos Manguezais, um projeto de reflorestamento atingiu a marca de 20 mil mudas nativas plantadas em um hectare recuperado. A recuperação da biodiversidade é o foco do projeto Mangue Alegria, liderado pelo biólogo Mário Moscatelli em parceria com a concessionária Águas do Rio.

Para celebrar os resultados, foi promovido um mutirão no entorno da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, reunindo a concessionária, a Comlurb e agentes de saúde locais. "O mangue funciona como um eficiente sequestrador de carbono, sendo uma ferramenta vital contra o aquecimento global. Ele também atua diretamente na limpeza da água, absorvendo nitrogênio e fósforo", explicou Moscatelli.

Para Caroline Lopes, gerente de Meio Ambiente da Águas do Rio, o esforço reforça as ações de saneamento que evitam o descarte diário de 134 milhões de litros de esgoto in natura na Baía de Guanabara. "Sua característica natural faz dele uma barreira física, minimizando enchentes e protegendo as comunidades litorâneas. A participação dos agentes de saúde reforça que proteger o manguezal é, na prática, proteger também a saúde da população", afirmou a gestora.

Biólogo faz alerta sobre descarte de lixo

Com a meta de recuperar e ampliar mais de 8 hectares de vegetação, Moscatelli celebra a remoção de 450 toneladas de resíduos no Caju, mas alerta: "Estamos vendo os resultados positivos. No entanto, a quantidade de lixo jogada nos rios ainda é grande. Precisamos parar de usar os rios como lixeira".

Além disso, a restauração avança na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde a parceria entre a Águas do Rio e Moscatelli recuperou 7 mil metros quadrados de mangue. A modernização de 13 estações de bombeamento impede o lançamento de 216 mil litros de esgoto, atraindo de volta capivaras, colhereiros e caranguejos guaiamum.

A iniciativa se soma ao investimento de R$ 2,7 bilhões na implantação de um cinturão de coletores de tempo seco para tratar o esgoto irregular antes que ele alcance as águas da Baía de Guanabara.