Correio da Manhã
colisão aérea

Relatório aponta rotas coincidentes de aeronaves em colisão no Recreio

Um dos helicópteros envolvidos no acidente voou sem detecção de radar

Relatório aponta rotas coincidentes de aeronaves em colisão no Recreio
Seis pessoas morreram no acidente de 14 de junho de 2026 Crédito: Divulgação / Corpo de Bombeiros RJ

O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) detalha os fatores que levaram à trágica colisão entre dois helicópteros em 14 de junho, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A tragédia resultou na morte de seis pessoas, incluindo o cantor norte-americano Oliver Tree e o youtuber argentino Gaspi.

De acordo com o órgão, os planos de voo das duas aeronaves previam o uso das mesmas Rotas Especiais de Helicópteros (REH), denominadas "Praia" e "Grota", e em altitudes idênticas. O choque no ar ocorreu na altura do Recreio, entre os pontos de navegação conhecidos como "Tachas" e "Piabas".

Falhas de monitoramento e falta de caixas-pretas

Um dos pontos mais alarmantes revelados pela investigação foi a ausência de sinal de um dos aparelhos. O helicóptero PP-MAC, que transportava os artistas e era pilotado por Alexandre Souza, não foi detectado pelos radares do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (Sisceab) em nenhum momento de sua trajetória até a colisão.

Em contrapartida, o helicóptero PR-DJJ, pilotado por Charles Marsillac e que viajava sozinho, foi monitorado continuamente desde a decolagem no Aeroporto Santos Dumont. O último registro de radar apontava que o veículo voava a cerca de 244 metros de altitude e a uma velocidade de 200 km/h.

O Cenipa informou também que nenhum dos modelos possuía gravadores de voz ou de dados de voo, que são as famosas caixas-pretas. Contudo, o órgão ressaltou que não havia exigência legal da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para a instalação desse tipo de dispositivo nas aeronaves envolvidas.

Cenário da queda

As investigações apontam que o clima no momento do acidente era favorável. O boletim meteorológico do Aeroporto de Jacarepaguá indicava vento fraco, céu limpo e excelente visibilidade, propícios para o voo visual.

Após o impacto no ar, os destroços caíram em um terreno de uma igreja desocupada alugado pela montadora BYD. Um dos helicópteros explodiu ao tocar o solo, iniciando um incêndio que atingiu carros elétricos estacionados no local. O segundo helicóptero caiu de cabeça para baixo, mas não pegou fogo.