A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro chegou ao terceiro dia nesta quarta-feira (1º), mantendo impactos no transporte público da capital fluminense. Apesar de uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que determina a circulação de 80% da frota de ônibus, passageiros relataram longas esperas em pontos e terminais nas primeiras horas do dia.
Segundo o sindicato das empresas de ônibus, Rio Ônibus, apenas 1.650 veículos estavam em circulação às 7h, o equivalente a cerca de 46% da frota municipal, composta por aproximadamente 3.600 ônibus. Pela determinação judicial, pelo menos 2.880 coletivos deveriam estar em operação.
No sistema BRT, a situação foi diferente. De acordo com a MOBI-Rio, entre 6h e 7h, 502 dos 541 ônibus articulados circulavam normalmente, o que representa cerca de 92% da operação.
Decisão do TST
Na noite de terça-feira (30), o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, acolheu um pedido da Prefeitura do Rio de Janeiro e elevou de 50% para 80% o percentual mínimo da frota que deve permanecer em circulação durante a paralisação.
Na decisão, o ministro destacou que o transporte coletivo é um serviço essencial e afirmou que a operação com apenas metade dos ônibus poderia comprometer a ordem pública e o direito de locomoção da população. Em caso de descumprimento da determinação, foi estabelecida multa diária de R$ 100 mil ao Sindicato dos Rodoviários.
Divergência entre empresas e trabalhadores
Em nota, o Rio Ônibus informou que as empresas estão mobilizadas para cumprir a decisão judicial, mas atribuiu a baixa circulação de veículos à falta de definição, pelo Sindicato dos Rodoviários, das escalas dos profissionais que deveriam manter a frota mínima em operação.
O sindicato patronal também fez um apelo para que motoristas retornem às garagens e iniciem a operação, ressaltando a necessidade de atender à determinação da Justiça.
Já o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, criticou a decisão do TST e afirmou que ela favorece as empresas, que, segundo ele, não apresentaram uma proposta capaz de atender às reivindicações da categoria. Apesar das críticas, o dirigente declarou que a determinação judicial será cumprida.
Negociações continuam
O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) marcou uma nova audiência de conciliação para a manhã desta quarta-feira, após a reunião realizada na terça-feira terminar sem acordo entre trabalhadores e empresários.
Além disso, o Sindicato dos Rodoviários convocou uma assembleia para as 16h, quando a categoria deverá discutir os próximos passos do movimento.
Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão reajuste salarial de 17%, piso de R$ 5 mil para motoristas do BRT e de R$ 4 mil para os demais condutores, vale-alimentação de R$ 1 mil, implantação de plano de saúde e mudanças na jornada de trabalho para sete horas e meia diárias.
As empresas, por sua vez, mantêm a proposta de reajuste de 4,39% e afirmam que não pretendem apresentar uma nova contraproposta.
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