Dezoito bares tradicionais se uniram ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para realizar a segunda edição do festival gastronômico que conecta campo e cidade. De 22 de maio a 7 de junho, o Circuito Cultural Culinária da Terra vai oferecer ao público petiscos exclusivos preparados com alimentos produzidos pelo MST. O objetivo é fortalecer e popularizar a agricultura familiar e a agroecologia, desenvolvidas por assentamentos e cooperativas da Reforma Agrária no Rio de Janeiro. O tema deste ano é “Comida da terra com alma de boteco”.
“Mais do que um festival gastronômico, o Culinária da Terra quer ser o ponto de partida para um caminho permanente de partilha entre o campo e a cidade. A ideia é consolidar uma rede de restaurantes parceiros para fortalecer o modelo da agricultura familiar e ampliar o escoamento da produção agroecológica. Dessa forma, a gente consegue aumentar a renda dos pequenos agricultores e construir um sistema alimentar justo e saudável para todas as pessoas”, explica a vereadora Maíra do MST.
Dados oficiais do balanço de 2025 mostram que o circuito gastronômico vendeu 626 petiscos e movimentou 700kg de alimentos no ano de lançamento. Já esta edição conta com um incremento considerável na quantidade de bares participantes, o que também vai impactar no volume de alimentos fornecidos pelo MST. Inicialmente, eram oito bares, mas com o sucesso e a repercussão do primeiro festival, a procura mais que dobrou, incluindo estabelecimentos em outros dois municípios do Rio (Niterói e Nova Iguaçu). Outra diferença é que antes o circuito acontecia apenas aos fins de semana e agora os petiscos serão servidos todos os dias durante o período em que durar o festival.
Em 2026, os 18 bares participantes são Armazém Cardosão, Armazém do Campo, Baixela, Bar da Frente, Baródromo, Botica, Buteco do Portuga, Capiau, Casa Porto, Conserva Bar, Cozinha da Lapa, Fala Bar, Gingada Bar, Miudinho, Não me Torra, Os Imortais, Quitanda Gastronomia e Surubafo. Durante duas semanas, o público frequentador desses estabelecimentos terá a oportunidade de saborear pratos especiais feitos com ingredientes livres de agrotóxicos. Os valores dos petiscos variam entre R$20 e R$40.
Além de celebrar os sabores da terra, o circuito terá impacto econômico direto: 30% dos valores arrecadados com as vendas serão revertidos para investir nos assentamentos do MST.
“A nossa expectativa para esta segunda edição é a melhor possível. Queremos abraçar ainda mais a cidade, mostrando a força da produção da agricultura familiar no estado. Esse circuito mostra que é possível unir cultura, gastronomia e agricultura familiar em um mesmo movimento, valorizando os bares da cidade e a produção no campo. Fortalecer a Reforma Agrária Popular é fortalecer essa comida. E também quem a produz”, destaca a deputada estadual Marina do MST. Para a parlamentar, cada prato servido no circuito carrega a história e a cultura presentes nos alimentos produzidos por assentamentos e cooperativas da Reforma Agrária do Rio. “Queremos encurtar a distância entre o boteco e a agricultura familiar, levando ao público a reflexão de que existe um trabalhador rural por trás de todo o processo de cultivo e colheita, para que o alimento servido no bar seja comida de verdade”, completou.
A programação também inclui atividades culturais que aproximam o público de quem planta e faz chegar ao prato muito mais do que alimento orgânico. “Comer é um ato político e de resistência, é um instrumento de transformação social. A gente precisa implementar essa nova consciência de consumo na cidade e fortalecer o debate sobre soberania alimentar, cultura popular e organização social”, concluiu Maíra do MST.
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