Correio da Manhã
Rio de Janeiro

Alerj debate PL para criar banheiro neutro em estabelecimentos

Plenário também discute título de Patrimônio do Rio ao Palácio Tiradentes

Alerj debate PL para criar banheiro neutro em estabelecimentos
Projetos foram debatidos em sessão nesta terça-feira, dia 12 Crédito: Alex Ramos

O plenário da Alerj debateu, nesta terça-feira (12), vários projetos de caráter político, cultural e social. O principal deles foi em relação ao caso da atriz Cássia Kiss com a mulher trans no banheiro feminino, no qual a deputada Índia Armelau (PL) propõs a criação de um terceiro banheiro em estabelecimentos. Outro foi em relação ao bronzeamento artificial e ainda um que transforma o Palácio Tiradentes em Patrimônio do Rio.

Locais públicos e privados deverão instalar banheiros e vestiários neutros

Ambientes públicos e privados de grande circulação no Estado do Rio poderão ser obrigados a disponibilizar um banheiro neutro para uso de pessoas trans, não-binárias ou que não realizaram cirurgia de afirmação de gênero. A exigência está prevista no Projeto de Lei 3.17/23, de autoria da deputada Índia Armelau (PL).

De acordo com a proposta, os ambientes deverão contar com fraldário, vaso sanitário infantil, lavatório adequado e acessibilidade para Pessoas com Deficiência (PCDs) ou com mobilidade reduzida. O texto também determina que os espaços tenham sinalização específica, inclusive em Braille.

O projeto define como banheiros e vestiários neutros aqueles destinados a pessoas cuja identidade de gênero não se enquadra nos espectros masculino e feminino e que não tenham se submetido ao procedimento cirúrgico para troca de gênero. A medida deverá ser aplicada em locais como hospitais, universidades, centros de convenções, terminais de transporte público, cinemas, teatros, centros esportivos, parques e praças públicas.

Pela proposta, os estabelecimentos já em funcionamento terão prazo de seis meses, após a publicação da lei, para realizar as adequações necessárias. O descumprimento poderá acarretar advertências, multas e até interdição do estabelecimento em caso de reincidência.

Os valores arrecadados com as multas, que poderão começar no valor de 1.100 UFIR-RJ, o equivalente a R$ 5.456, e ser dobrado, serão destinados ao Fundo de Defesa Social e Defesa da Cidadania (FDSPC), com aplicação em programas de conscientização sobre os direitos das pessoas trans não redesignadas e não-binárias, além do atendimento a vítimas de violência motivada por identidade de gênero ou orientação sexual.

O texto também prevê a criação de um canal específico para recebimento de denúncias relacionadas ao descumprimento da norma e para prevenção de atos discriminatórios.

Protocolo contra racismo e intolerância religiosa nas escolas

A proposta, determinada Lei Guilherme Lima (Projeto de Lei 1.529/23), de autoria do deputado Carlos Minc (PSB), com coautoria os deputados Renata Souza (PSol), Prof. Josemar (PSol), Lilian Behring (PCdoB), Dionísio Lins, (PP) e Guilherme Delaroli (PL), define normas que deverão ser seguidas pelas unidades de ensino sempre que ocorrerem episódios de discriminação. Entre elas, estão o acolhimento e a escuta de vítimas e envolvidos, a convocação dos responsáveis para reuniões de orientação e a oferta de apoio psicológico e pedagógico aos estudantes afetados.

O texto também garante a abertura de procedimentos internos para a apuração de casos, além da comunicação às autoridades competentes, garantindo a responsabilização dos autores conforme a legislação vigente.

Além das ações imediatas, o projeto estabelece diretrizes para um protocolo permanente de atuação das escolas, como o acesso a materiais pedagógicos que abordem o tema na realidade brasileira, a valorização da liberdade de consciência, crença e culto.

Palácio Tiradentes pode virar Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Rio

No ano de seu centenário, o histórico Palácio Tiradentes poderá virar Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Rio. É o que propõe o texto de autoria da deputada Verônica Lima (PT) que será debatido, em primeira discussão. Caso receba emendas parlamentares, o projeto sairá de pauta.

A proposta também autoriza o Poder Público a promover atividades de preservação histórica e incentivo cultural no espaço, inclusive em parceria com entidades da sociedade civil. Na justificativa do projeto, a parlamentar destaca a relevância histórica do local, que ocupa um terreno ligado à memória política do país desde o período colonial.

Bronzeamento artificial pode ser liberado no Rio

A utilização de equipamentos de bronzeamento artificial para fins estéticos, com base na emissão de radiação ultravioleta (UV), poderá ser autorizada no Estado do Rio de Janeiro. A medida, de autoria do deputado Carlinhos BNH (PP), será votada em segunda discussão. Caso seja aprovada, a medida seguirá para sanção ou veto do governador.

A proposta altera a Lei 4.879/06, que regulamenta o funcionamento de estabelecimentos que utilizam câmaras de bronzeamento artificial no estado, para incluir a autorização expressa do uso desses equipamentos com finalidade estética. A liberação deverá seguir as normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).