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Lula muda estratégia e mira 33 milhões de ausentes para tentar virar eleição no 2º turno

Campanha pretende ampliar presença nas ruas e nas redes, disputar o Sudeste, reforçar mobilização no Nordeste e levar presidente aos debates contra Flávio Bolsonaro

Por Bianca Lobianco

Lula reúne aliados e redesenha estratégia para o segundo turno da eleição presidencial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou os mais de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno no centro da estratégia para tentar reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. A campanha iniciou uma revisão de rota e pretende ampliar a mobilização nas ruas e nas redes durante as três semanas até a votação de 25 de outubro.

Segundo os números da eleição, 33.444.876 eleitores não votaram no domingo (4), o equivalente a 21,08% do eleitorado apto. Foi a maior taxa de abstenção registrada em um primeiro turno presidencial desde 1998. Flávio terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%.

Em reunião com aliados na segunda-feira (5), Lula classificou a abstenção como um dos principais desafios da campanha e cobrou uma estratégia capaz de recuperar o interesse de quem não foi votar. A avaliação interna é que a mobilização desse contingente pode ser decisiva em uma disputa apertada.

A campanha também pretende reorganizar sua atuação territorial. O Sudeste entrou no centro das preocupações após o resultado do primeiro turno, enquanto aliados defendem intensificar a mobilização no Nordeste, principal reduto eleitoral do presidente, para tentar reduzir a abstenção e ampliar a vantagem sobre Flávio na região.

Outra mudança será a participação de Lula em debates. Depois de não comparecer aos principais confrontos televisivos do primeiro turno, o presidente afirmou que pretende enfrentar Flávio diretamente na nova etapa da campanha. As equipes dos dois candidatos já trabalham com a possibilidade de ao menos um encontro na televisão.

Aliados também defendem maior presença de Lula nas ruas e uma comunicação mais agressiva nas redes sociais. A campanha pretende explorar diferenças entre os dois projetos políticos e dar maior visibilidade a pautas sociais e trabalhistas, enquanto tenta corrigir falhas identificadas na comunicação do primeiro turno.

A reação ocorre enquanto Flávio acelera a busca por apoios entre partidos de centro e antigos adversários da direita. Com pouco menos de três semanas até a votação, a estratégia de Lula passa agora por transformar a elevada abstenção em uma nova frente de disputa pelo eleitorado.