Resultado presidencial

Lula derrota Flávio Bolsonaro e é reeleito para o quarto mandato

Presidente chega a 51,58% dos votos válidos, contra 48,42% do candidato do PL, na parcial de 90% da apuração. Resultado ocorre após denúncias de dificuldades no transporte de eleitores, intervenção do STF e suspensão da contagem pelo TSE.

Lula derrota Flávio Bolsonaro e é reeleito para o quarto mandato
Lula supera Flávio Bolsonaro no segundo turno e se aproxima da confirmação de seu quarto mandato presidencial. Crédito: Reprodução/Instagram

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caminha para conquistar seu quarto mandato após superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25). Com 90% dos votos apurados, Lula alcançou 51,58% dos votos válidos, contra 48,42% de Flávio, uma vantagem de 3,16 pontos percentuais. A vitória foi anunciada pela imprensa com base na evolução da contagem, embora a confirmação formal pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não estivesse disponível nas fontes oficiais consultadas.

O resultado representa uma virada em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O presidente conseguiu reverter a desvantagem na etapa decisiva e superar o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma eleição marcada pela polarização política e pela disputa entre dois projetos de governo.

A campanha foi dominada por embates sobre economia, segurança pública, corrupção, programas sociais e a relação entre os Poderes. Lula defendeu a continuidade das políticas de seu governo, enquanto Flávio apresentou sua candidatura como alternativa à atual administração federal, buscando reunir o eleitorado conservador e os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A votação deste domingo, entretanto, foi marcada por uma crise envolvendo o transporte de eleitores. Denúncias de redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento, especialmente na Bahia e em São Paulo, levaram a campanha petista a solicitar a ampliação do horário de votação. A campanha de Flávio também apresentou pedidos de prorrogação em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas por causa das fortes chuvas e dos problemas de acesso aos locais de votação.

Diante das reclamações, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação da votação até as 19h em todo o país. A decisão foi comunicada depois das 17h, quando parte das seções já havia encerrado os trabalhos e emitido os boletins de urna. O atraso provocou situações diferentes entre eleitores que conseguiram votar durante o período adicional e aqueles que encontraram os equipamentos fechados.

Na Bahia, os problemas de mobilidade ganharam dimensão judicial. O Tribunal Regional Eleitoral determinou providências para recompor a oferta de transporte público, enquanto o secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, foi alvo de ordem de prisão em flagrante por suposto descumprimento de determinação judicial. O episódio ampliou a controvérsia sobre as condições de acesso às urnas.

O impasse também envolveu o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Antes da decisão do STF, ele havia solicitado informações ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia e à Procuradoria-Geral Eleitoral sobre as denúncias de redução da frota. A demora na definição de uma resposta nacional passou a ser questionada, enquanto o Supremo também enfrentou críticas pelo momento em que a prorrogação foi determinada.

A Justiça Eleitoral chegou a iniciar a totalização às 17h06, quando 1.225 das 499.248 seções haviam sido contabilizadas, equivalentes a aproximadamente 0,25% do total. Na primeira parcial, Lula aparecia com 57,66% dos votos válidos, contra 42,34% de Flávio. A divulgação foi interrompida após a determinação de Zanin e retomada depois das 19h.

Posteriormente, o STF esclareceu que somente as seções ainda abertas poderiam continuar recebendo votos até as 19h. O TSE orientou os tribunais regionais a cumprir a medida, mantendo fechadas as urnas que já haviam concluído o processo. Os votos registrados anteriormente permaneceram válidos e foram incorporados à totalização.

A situação provocou questionamentos sobre a atuação das duas cortes. Embora o TSE seja responsável pela administração das eleições, a ordem judicial partiu do STF, cabendo à Justiça Eleitoral executá-la. Ministros ouvidos pela imprensa reconheceram falhas na condução do episódio e admitiram a possibilidade de contestações judiciais, mas não apontaram, naquele momento, fundamento suficiente para anular a eleição.

Com a retomada da contagem, a disputa apresentou oscilações nas primeiras parciais. Flávio chegou a liderar em determinados momentos, mas Lula recuperou a dianteira e ampliou a diferença à medida que novos boletins foram processados. Com 90% dos votos apurados, o presidente registrava vantagem de 3,16 pontos percentuais sobre o adversário.

O resultado encaminha Lula para um feito inédito na história política brasileira: conquistar quatro eleições presidenciais pelo voto direto. Ele venceu as disputas de 2002, 2006 e 2022 e busca agora completar mais um mandato no Palácio do Planalto. A nova gestão está prevista para começar em janeiro de 2027, com Geraldo Alckmin (PSB) novamente na Vice-Presidência.

A eleição também representa um revés para o projeto político de Flávio Bolsonaro, que disputou a Presidência com o apoio do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar da derrota indicada pela apuração, o senador obteve uma votação expressiva, evidenciando a permanência de uma divisão eleitoral significativa entre os dois campos políticos.