Milhares de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram de manifestações no Rio de Janeiro neste domingo (18), a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais. Os atos ocorreram no Centro, em Madureira, na Zona Norte, e na Praia de Copacabana, na Zona Sul, reunindo estudantes, movimentos sociais, artistas e representantes políticos. Em Copacabana pessoas ocuparam espaço na praia até na água para assistir os se apresentando.
Pela manhã, manifestantes se concentraram na região da Candelária, com participação da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de nomes como Chico Buarque, Marisa Monte e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). A mobilização destacou pautas relacionadas à educação, à juventude e à democracia. Também houve concentração no Viaduto de Madureira.
À tarde, a orla de Copacabana recebeu o "Ato Musical pela Democracia", convocado por Caetano Veloso e organizado por movimentos como Mídia Ninja e 342 Artes. O evento contou com a participação de Djavan, Fernanda Abreu, Jão, Xamã, Sophie Charlotte, Marina Senna, Geraldo Azevedo, Ivan Lins e outros artistas, além do ator Paulo Vieira, que atuou como mestre de cerimônias. Caetano Veloso conseguiu conter as lágrimas e explicou em suas redes posteriormente: "O Geraldo Azevedo sempre me emociona. Ambos fomos presos no regime militar. Nossa democracia sempre precisou e ainda precisa de sua voz". Os dois artistas foram presos durante a ditadura militar brasileira (1964–1985). Caetano foi preso em dezembro de 1968, pouco depois da decretação do AI-5, e posteriormente exilado. Geraldo Azevedo foi preso em 1969 e novamente em 1975, quando sofreu tortura.
A movimentação também chamou a atenção pela presença de apoiadores dentro do mar. Enquanto milhares de pessoas acompanhavam as apresentações na areia da Praia de Copacabana, parte do público entrou na água para assistir ao ato em apoio ao presidente Lula (PT). A cena ampliou a dimensão visual da manifestação.
Ato quase foi impedido
A manifestação ocorreu após questionamentos apresentados à Justiça Eleitoral. O Partido Novo pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão preventiva das apresentações, sob o argumento de possível realização de showmícios, proibidos pela legislação. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva rejeitou o pedido por considerar insuficientes os elementos apresentados para impedir os eventos antecipadamente. A decisão não afasta a possibilidade de apuração posterior de eventuais irregularidades.
Lula não participou presencialmente dos atos, realizados enquanto se preparava para o debate com Flávio Bolsonaro (PL) na Band. Mobilizações semelhantes ocorreram em Brasília, Salvador, Belo Horizonte e outras capitais. O segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro.
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