O governador eleito de Minas Gerais, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, mas deixou clara uma divergência em relação à campanha do candidato sobre a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.
Cleitinho defende que a PEC seja votada pelo Senado ainda neste ano. A proposta está em discussão no plenário da Casa e prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial. A oposição tenta adiar a votação para depois do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
O senador afirmou que não vê contradição em apoiar Flávio e, ao mesmo tempo, discordar de uma posição defendida por integrantes da campanha.
“Eu sou casado com a minha esposa e sou apaixonado por ela e, de vez em quando, a gente não concorda um com o outro. Nem sempre a gente vai concordar em tudo, mas eu sou a favor. Já tinha que ter votado”, afirmou Cleitinho.
Cleitinho cobra votação da PEC
O governador eleito também criticou o ritmo de funcionamento do Congresso e defendeu que a proposta avance antes do fim do ano.
Segundo Cleitinho, os parlamentares deveriam retomar as atividades e analisar a mudança na jornada de trabalho. Ele também ironizou o fato de políticos estarem, segundo sua avaliação, em uma espécie de “escala zero por zero” durante o período eleitoral.
“Desde julho que a gente está de recesso, o Congresso sem produzir nada. A fonte de riqueza que é o trabalhador e o empresário está produzindo para manter o Congresso parado. Então deveria já voltar”, declarou.
A PEC que trata do fim da escala 6x1 já foi aprovada pela Câmara e passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. No plenário, ainda precisa cumprir as etapas regimentais de discussão antes da votação em primeiro turno.
Proposta de Flávio é diferente
A posição defendida por Cleitinho diverge da alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
Marinho apoia a chamada PEC das Horas Trabalhadas, que prevê maior flexibilidade na definição da jornada e amplia a possibilidade de negociação direta entre empregado e empregador. O modelo mantém o limite de 44 horas semanais e prevê remuneração proporcional quando houver redução da jornada.
A diferença central entre as propostas está na forma de reorganizar a jornada e nos efeitos sobre a remuneração. A PEC em discussão no Senado prevê redução da jornada semanal sem corte salarial, enquanto a alternativa apoiada por Marinho permite maior flexibilidade contratual, com pagamento proporcional às horas trabalhadas.
Cleitinho critica influência de Marinho
Além da divergência sobre a jornada de trabalho, Cleitinho afirmou que teve dificuldades para participar da campanha de Flávio durante o primeiro turno por causa da relação com Rogério Marinho.
O senador mineiro disse que já fazia campanha para Flávio, apesar de o PL ter lançado Flávio Roscoe como candidato ao governo de Minas no primeiro turno.
“Foi nem o Flávio, foi sempre o Rogério. Rogério nunca fez questão de eu estar no palanque do Flávio. Só que o Rogério não entende nada de Minas Gerais”, afirmou.
Em outra declaração sobre o tema, Cleitinho pediu que Flávio considere sua posição sobre a escala de trabalho e deixe de seguir exclusivamente a orientação de Marinho. O senador também criticou a atuação do coordenador da campanha em assuntos relacionados a Minas Gerais.
Apesar das divergências, Cleitinho reafirmou que pretende atuar pela candidatura de Flávio no segundo turno e buscar ampliar o apoio ao candidato do PL em Minas Gerais.
Menu