Eleições 2026

Grandes derrotados de 2026: urnas tiram de cena nomes históricos da política

Renan Calheiros, Ciro Nogueira, Randolfe Rodrigues e Aécio Neves estão entre os políticos de projeção nacional derrotados no primeiro turno das eleições de 2026

Grandes derrotados de 2026: urnas tiram de cena nomes históricos da política
Renan Calheiros, Ciro Nogueira, Randolfe Rodrigues e Aécio Neves estão entre os nomes de projeção nacional derrotados nas eleições de 2026. Crédito: Divulgação

As eleições de 2026 produziram uma lista de derrotas que atinge nomes com décadas de protagonismo na política nacional. Senadores perderam a reeleição, ex-ministros não conseguiram retornar ao Congresso e políticos que acumulavam sucessivas vitórias terminaram o primeiro turno sem mandato garantido para 2027.

Uma das derrotas mais simbólicas ocorreu em Alagoas. Renan Calheiros (MDB) não conseguiu renovar o mandato e deixará o Senado após 32 anos consecutivos na Casa. Ele ficou atrás de Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB), eleitos para as duas vagas do estado. Renan estava no Senado desde 1995 e presidiu a Casa em quatro ocasiões.

No Piauí, Ciro Nogueira (PP), presidente nacional do partido, também perdeu a reeleição. Após 16 anos no Senado, terminou em terceiro lugar, com 24,67% dos votos válidos. Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) conquistaram as duas cadeiras em disputa.

Outro integrante de longa trajetória no Senado que ficará fora da próxima legislatura é Randolfe Rodrigues (PT). Líder do governo Lula no Congresso, ele terminou em terceiro no Amapá, com 18,55%, e não conseguiu renovar o mandato que exerce desde 2011. Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD) foram eleitos.

Em Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) também saiu derrotado. Ex-governador, ex-senador, candidato à Presidência em 2014 e atual deputado federal, ele tentou retornar ao Senado, mas terminou apenas na sétima colocação, com 4,08% dos votos válidos. Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT) conquistaram as vagas mineiras. O resultado deixa Aécio sem mandato eletivo após quatro décadas de presença praticamente contínua em cargos públicos.

No Paraná, Gleisi Hoffmann (PT) não conseguiu retornar ao Senado. Ex-ministra e ex-presidente nacional do PT, ela terminou em quarto lugar, com 13,35%. Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) ficaram com as duas cadeiras.

São Paulo concentrou outras derrotas de projeção nacional. As ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) ficaram fora do Senado. Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) foram eleitos. Simone terminou em terceiro lugar, com 19,21%, e Marina, em quarto, com 18,11%.

Também em São Paulo, José Dirceu (PT) fracassou na tentativa de retornar à Câmara dos Deputados. Ex-ministro da Casa Civil e uma das figuras históricas do PT, ele recebeu 78.450 votos, mas não conquistou uma das vagas da Federação Brasil da Esperança. Era sua primeira disputa eleitoral desde o fim da década de 1990.

Na Câmara, outra sequência foi interrompida. Tiririca (PSD), que deixou São Paulo para disputar uma vaga pelo Ceará, não conseguiu o quinto mandato consecutivo de deputado federal. Ele havia sido eleito pela primeira vez em 2010, quando recebeu mais de 1,3 milhão de votos.

As disputas estaduais também produziram derrotas expressivas. Fernando Haddad (PT) perdeu novamente para Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, desta vez no primeiro turno. Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) voltou a ser derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT), que garantiu a reeleição também sem necessidade de segundo turno.

O resultado das urnas redesenha parte do grupo de lideranças que ocupará o Congresso e os governos estaduais a partir de 2027. Enquanto novos nomes e bancadas ampliaram espaço, políticos que atravessaram diferentes ciclos de poder terminaram o primeiro turno fora dos cargos que buscavam.