PF pediu há seis meses acesso a pagamentos de Vorcaro a autoridades, mas não houve resposta de Mendonça

Coaf identificou movimentações envolvendo pessoas com foro privilegiado e condicionou entrega dos dados integrais à autorização do STF.

Por Bianca Lobianco

André Mendonça recebeu em março pedido da Polícia Federal para autorizar o Coaf a fornecer dados integrais sobre movimentações financeiras envolvendo investigados do caso Master e pessoas com foro privilegiado.

A Polícia Federal pediu há seis meses ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para acessar informações financeiras sobre pagamentos feitos por Daniel Vorcaro e outros investigados do caso Banco Master a pessoas com foro privilegiado. Até a retirada do sigilo do processo, nesta segunda-feira (14), não havia registro de resposta do ministro ao pedido.

O requerimento foi encaminhado em 10 de março, depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) entregou apenas parcialmente Relatórios de Inteligência Financeira solicitados pela PF.

Durante a análise das movimentações, o Coaf identificou transações entre investigados e pessoas com foro por prerrogativa de função. Por envolver autoridades submetidas à competência do Supremo, o órgão informou que o compartilhamento integral dessas informações dependeria de autorização expressa da Corte.

A PF então recorreu a Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master, para conseguir acesso aos dados. Os investigadores argumentaram que o próprio STF era competente para supervisionar a obtenção das informações protegidas e autorizar o compartilhamento pelo Coaf.

O objetivo era rastrear possíveis movimentações de recursos ilícitos envolvendo Vorcaro e outros alvos da investigação.

Entre os dados disponibilizados parcialmente pelo Coaf aparecem movimentações financeiras de pessoas e empresas relacionadas ao ecossistema investigado pela PF, incluindo operações envolvendo Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

A existência do pedido da Polícia Federal veio a público após o presidente do STF, Edson Fachin, determinar a retirada do sigilo do procedimento. A medida ocorreu depois de solicitação de Alexandre de Moraes e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Com a divulgação dos documentos, a PGR pediu a Fachin que verifique se Mendonça chegou a autorizar o acesso solicitado pela Polícia Federal. O questionamento busca esclarecer se houve alguma decisão que não conste do andamento tornado público.

O episódio ganha relevância às vésperas da análise pelo plenário do STF dos desdobramentos das mensagens encontradas no celular de Vorcaro. A existência de um pedido da PF pendente desde março também amplia a discussão sobre o tratamento dado às diferentes informações envolvendo autoridades com foro privilegiado no caso Master.