Nunes Marques manda Eduardo Bolsonaro apagar postagens contra urnas

Presidente do TSE, Kassio Nunes Marques deu prazo de 24 horas para Eduardo Bolsonaro remover publicações nas quais questiona as urnas eletrônicas

Por Petrônio Viana

Eduardo Bolsonaro recebeu prazo de 24 horas para remover publicações

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, estabeleceu prazo de 24 horas para que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro remova de suas redes sociais uma série de publicações nas quais questiona a segurança das urnas eletrônicas brasileiras.

As postagens foram feitas após a divulgação de um relatório da CIA, o serviço de inteligência dos Estados Unidos, que apontava indícios de fraude nas eleições na Venezuela. “Só numa ditadura há assuntos proibidos. Assim, pergunto: será que no Brasil as urnas eletrônicas são realmente invioláveis?”, disse Eduardo Bolsonaro, em uma das publicações.

Em outra, o ex-deputado afirmou que, com a divulgação do relatório da CIA, a “pressão sobre a urna eletrônica brasileira deve aumentar”. A associação entre o sistema de votação venezuelano e as urnas eletrônicas brasileiras já foi desmentida pelo TSE em 2017, 2020, 2022 em 2026.

A decisão de Nunes Marques atende a uma representação feita pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PcdoB e PV. De acordo com o ministro, as publicações de Eduardo Bolsonaro “revestem-se de um caráter duvidoso” por divulgarem um fato sabidamente inverídico e esclarecido pela Justiça Eleitoral, sugerindo irregularidades.

“Com isso, transplanta para o contexto nacional fato documentado relativo exclusivamente à Venezuela, promovendo grave descontextualização apta a instigar, no eleitorado, desconfiança quanto à integridade do processo eleitoral”, afirmou Nunes Marques.

“A permanência do conteúdo impugnado, às vésperas do início da propaganda eleitoral, é apta a consolidar no eleitorado percepção de insegurança quanto ao sistema eletrônico de votação, fundada em alegação já conclusivamente afastada por esta Justiça Especializada, o que recomenda a atuação cautelar imediata”, disse o presidente do TSE.