A seis dias do primeiro turno, duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira (28) registraram movimento semelhante. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cresceu, embora dentro da margem de erro, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) apresentou variação menor. O retrato, porém, exige cautela. Os números mostram uma eleição com escolhas mais consolidadas e menos espaço para grandes deslocamentos.
Na Quaest, Lula passou de 37% para 39% das intenções de voto, enquanto Flávio foi de 33% para 34%. No BTG/Nexus, o presidente avançou de 40% para 42%, e o senador permaneceu com 37%.
Os recortes da Quaest ajudam a mostrar onde houve movimentação. Entre as mulheres, Lula passou de 37% para 40%, enquanto Flávio recuou de 32% para 29%. Entre os católicos, o presidente foi de 43% para 48%, e o senador, de 27% para 29%. Já entre os evangélicos, grupo em que Flávio mantém vantagem, Lula oscilou de 23% para 27%, enquanto o candidato do PL passou de 49% para 46%.
O movimento também aparecem na renda. Entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula passou de 49% para 52%, enquanto Flávio permaneceu em 23%. A vantagem numérica nesse grupo aumentou de 26 para 29 pontos.
Cautela
Para Eduardo Galvão, especialista em relações governamentais e professor do Ibmec do Distrito Federal, porém, a repetição do crescimento geral em dois levantamentos ainda não permite afirmar que houve uma mudança estrutural na disputa.
“Uma variação isolada de um ou dois pontos não é suficiente para falar em tendência. O que importa é observar se o movimento se repete em pesquisas diferentes, em rodadas sucessivas e se aparece acompanhado de outros sinais, como redução de indecisos, queda das candidaturas menores ou aumento da certeza do voto”, explica.
A fotografia do segundo turno reforça a cautela. Na Quaest, Lula e Flávio aparecem com 42% cada. No BTG/Nexus, são 46% para o petista e 44% para o candidato do PL, diferença dentro da margem de erro.
Segundo Galvão, primeiro e segundo turnos medem situações diferentes. No primeiro, ainda existe espaço para absorver votos hoje distribuídos entre candidaturas menores. No confronto direto, essas alternativas desaparecem e os candidatos também encontram os limites impostos pelas próprias rejeições.
Voto consolidado
Outro número dimensiona o espaço ainda disponível. Segundo o BTG/Nexus, 87% dos eleitores que já escolheram um candidato dizem que não pretendem mudar de voto. Outros 12% admitem rever a decisão.
“A disputa entrou claramente em uma fase de consolidação, mas isso não significa que esteja congelada”, afirma Galvão.
O professor ressalva que admitir uma possível mudança não significa que ela ocorrerá, nem que eventuais migrações seguirão na mesma direção.
“Nesta altura da campanha, a eleição tende a ser menos sobre grandes ondas de conversão e mais sobre pequenos deslocamentos que podem ter impacto grande no resultado.”
É justamente o caminho desses votos que poderá revelar eventual movimento de voto útil. Para Galvão, não basta observar a redução de candidaturas menores ou de indecisos. É necessário identificar para quem esses eleitores estão migrando.
A rodada da Quaest foi realizada entre 24 e 27 de setembro, período atravessado por acontecimentos como a medida provisória que proibiu as bets e a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida. O especialista, porém, considera precipitado relacionar diretamente as oscilações a episódios específicos.
“Uma pesquisa realizada depois de um acontecimento não é, por si só, uma pesquisa sobre o efeito daquele acontecimento”, afirma.
Com a maior parte dos eleitores decidida, os levantamentos previstos até a votação poderão mostrar se os movimentos desta semana se repetem. Na reta final, mais do que grandes viradas, será o destino das parcelas do eleitorado ainda dispostas a mudar que ajudará a definir como a disputa chegará às urnas.
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