Política

Lula usará ONU para defender multilateralismo

Presidente discursa na abertura da Assembleia das Nações Unidas

Lula usará ONU para defender multilateralismo
Na véspera, Lula se encontrou com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani Crédito: Ricardo Stuckert

A partir desta terça-feira (22) se inicia a 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA). E, como de costume, o presidente do Brasil será o primeiro a fazer discurso na abertura do evento.

Como o discurso ocorrerá a doze dias das eleições gerais brasileiras, a expectativa é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o use mais para falar aos brasileiros do que à comunidade internacional como um todo. Lula deverá focar em temas nacionais que têm merecido pressão dos Estados Unidos, como o combate ao crime organizado e a soberania nacional. Lula deve reforçar a defesa do multilateralismo como forma principal de diálogo entre as nações, articulação que ele já iniciou no fim de semana. Em seguida, será a vez do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano).

Na véspera do evento, o Brasil lançou com o Canadá, Quênia e a União Europeia (UE) a iniciativa “Parceiros pelo Multilateralismo” (P4M), uma aliança global para fortalecer as relações comerciais e internacionais, formar coalizões aptas em apoiar reformas na ONU e tornar as instituições globais mais representativas, sem criar uma burocracia exclusiva. A iniciativa foi divulgada em um manifesto publicado no jornal britânico Financial Times no último domingo (20). O manifesto tinha as assinaturas de Lula; do presidente do Conselho Europeu, António Costa; do primeiro-ministro canadense, Mark Carney; e do presidente do Quênia, William Ruto.

Na principal intenção de fortalecer o multilateralismo, o manifesto é uma resposta direta às tarifas comerciais e o protecionismo econômico imposto adotado por Donald Trump no governo dos Estados Unidos, somado a um sentimento de ceticismo em relação a organismos e alianças internacionais – como Organização Mundial do Comércio (OMC), a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a própria ONU.

Estrutura flexível

No manifesto, os representantes defendem que o projeto visa oferecer “uma estrutura flexível e aberta a países de diferentes regiões e tradições políticas que estejam dispostos a atuar para além de suas diferenças, formar coalizões em favor de reformas e transformar princípios compartilhados em ações concretas”. Eles ainda alertam que as relações econômicas entre os países têm sido “cada vez mais utilizadas como instrumentos de pressão e coerção, enquanto a desigualdade aumenta, tanto dentro dos países quanto entre eles”.

Por meio de nota divulgada à imprensa, o presidente do Conselho Europeu disse que a proposta é uma “plataforma aberta para parceiros de todas as partes do mundo” para trabalharem “em prol de soluções práticas”. “A iniciativa apoiará o trabalho das Nações Unidas e de outros formatos multilaterais, ajudará a construir pontes entre regiões e contribuirá para o avanço da reforma e da modernização das instituições multilaterais, ajudando a transformar compromissos compartilhados em ações concretas”, reiterou António Costa.