O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou a suspeita de que um órgão externo, possivelmente estrangeiro, tenha participado da produção do relatório da Polícia Federal que reúne informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Segundo Moraes, o episódio poderia representar uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras de 2026.
A afirmação consta da manifestação de 44 páginas encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, antes da sessão extraordinária desta terça-feira (15), que analisa os desdobramentos do material relacionado ao ex-banqueiro.
Moraes questiona a cadeia de custódia do relatório e afirma que o documento não teria sido produzido integralmente dentro da Polícia Federal. A cadeia de custódia é o conjunto de procedimentos destinado a registrar e preservar o caminho percorrido por uma evidência desde sua obtenção até a análise.
Um dos argumentos apresentados pelo ministro envolve os metadados do arquivo. Segundo Moraes, os registros indicariam que a abertura e a finalização do relatório ocorreram no mesmo dia nos computadores da PF.
A partir desse dado, Moraes sustenta a hipótese de que o documento tenha sido produzido anteriormente fora da corporação e posteriormente inserido nos sistemas da Polícia Federal. O ministro não apresentou, na manifestação, identificação do suposto órgão estrangeiro.
Também não há, até o momento, confirmação independente de participação estrangeira na elaboração do documento. A afirmação integra a argumentação apresentada por Moraes para contestar a validade do relatório.
O ministro classificou o material como "nulo e imprestável" e afirmou que teria ocorrido quebra da cadeia de custódia. Para ele, as circunstâncias de produção do documento indicariam direcionamento da investigação.
Moraes também relacionou a suposta participação externa ao cenário eleitoral. Segundo o ministro, o objetivo seria incriminá-lo e atingir o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para beneficiar um grupo político nas eleições de outubro.
Na mesma manifestação, Moraes voltou a negar a prática de irregularidades envolvendo Vorcaro. Ele sustenta que o relatório não apresenta indícios de infração penal cometida por ele e contesta a interpretação dada a fragmentos encontrados no material apreendido pela PF.
A validade do relatório está entre os pontos em discussão no Supremo. A Procuradoria-Geral da República também questionou juridicamente a forma como a apuração envolvendo Moraes foi conduzida.
O plenário do STF analisa nesta terça os desdobramentos do caso e deverá decidir sobre a validade das diligências e o destino das informações obtidas a partir do celular de Vorcaro.
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