Delegados da Polícia Federal envolvidos nas investigações sobre o Banco Master e as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) avaliam deixar as equipes responsáveis pelos casos em meio ao agravamento da crise entre a corporação e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A insatisfação ganhou força depois que Mendonça determinou, na terça-feira (8), o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A medida provocou reação dentro da corporação e abriu uma disputa institucional que chegou ao próprio Supremo.
As divergências, no entanto, são anteriores ao afastamento. Investigadores vêm questionando determinações adotadas por Mendonça na condução dos inquéritos relacionados ao Banco Master e aos descontos fraudulentos em benefícios do INSS.
Em abril, o ministro restringiu o acesso aos inquéritos, determinando que policiais que não integrassem diretamente as equipes responsáveis não consultassem as investigações. A medida alcançou inclusive superiores hierárquicos dos investigadores. Mendonça justificou a decisão como uma forma de evitar interferências e vazamentos de informações sigilosas.
Outro foco de tensão envolve a investigação das fraudes no INSS. Em junho, Mendonça estabeleceu prazo de 60 dias para que a PF analisasse materiais apreendidos durante a Operação Sem Desconto. A corporação pediu mais tempo e alegou falta de pessoal, informando que 11 agentes trabalhavam no caso, quando seriam necessários mais de 40 para atender à demanda.
Relatos de policiais reunidos em documentos da própria PF também apontaram divergências sobre o direcionamento das investigações, a definição de alvos e o envio de materiais das apurações ao gabinete do relator. Parte dessas informações posteriormente entrou no centro do confronto entre Mendonça e Alexandre de Moraes.
Mendonça, por sua vez, contesta as acusações sobre sua atuação. O ministro afirma que houve irregularidades na produção de relatórios de inteligência da Polícia Federal e sustenta ter sido alvo de monitoramento ilegal. Em decisão relacionada ao episódio, determinou ainda que a Corregedoria da PF investigasse as circunstâncias em que esses documentos foram produzidos.
A crise também passou a atingir diretamente o futuro das investigações. O presidente do STF, Edson Fachin, avalia assumir os processos relacionados aos casos Master e INSS, atualmente sob responsabilidade de Mendonça, como alternativa para reduzir a tensão dentro da Corte e entre o Supremo e a Polícia Federal. Até o momento, porém, não houve mudança formal na relatoria dos inquéritos.
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