O perito Anísio Costa Castelo Branco, responsável por uma perícia privada sobre as contas de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, também foi contratado para atuar no caso dos investimentos milionários da previdência dos servidores de Cajamar (SP) no Banco Master.
Desde janeiro, o Instituto de Perícia Investigativa (IPI), comandado por Anísio, mantém um contrato de R$ 728,5 mil com o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC). A autarquia aplicou R$ 87 milhões em letras financeiras do Master, instituição de Daniel Vorcaro.
O trabalho envolve a análise de balanços do banco, procedimentos do Banco Central e documentos relacionados à fiscalização da instituição. Segundo Anísio, também são examinadas as atuações da CVM, do Ministério da Previdência, da auditoria KPMG e da agência de classificação de risco Fitch Ratings. O objetivo inclui fornecer suporte técnico às medidas adotadas pelo instituto para tentar recuperar recursos e apurar eventuais responsabilidades.
A contratação ocorreu antes da entrada do perito no caso Dark Horse. Em 7 de maio, Anísio foi indicado pelo IPSSC como assistente técnico na ação judicial que discute as aplicações no Master. Em 11 de junho, assinou a perícia investigativa defensiva sobre as contas do filme. O perito afirmou que as contratações passaram pelo compliance de sua empresa e que não foi identificado conflito de interesses.
A atuação de Anísio em Dark Horse também é confirmada por outras apurações. O laudo privado foi contratado pelo escritório que representa a produtora Go Up e posteriormente anexado a uma investigação. Recentemente, o perito informou que preparava novos documentos sobre as contas da produção.
Aplicações estão na mira da PF
Os investimentos da previdência de Cajamar são investigados pela Polícia Federal na Operação Off-Balance, deflagrada em maio. A apuração envolve cerca de R$ 107 milhões aplicados em quatro letras financeiras de instituições privadas, dos quais R$ 87 milhões foram destinados ao Banco Master.
Segundo a PF, há suspeitas de gestão temerária e possíveis falhas na análise dos emissores, avaliação dos riscos, justificativa dos investimentos e definição dos limites de concentração dos recursos. Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos durante a operação em Cajamar, Boituva e São Paulo.
As aplicações no Master ocorreram entre 2023 e 2024. O caso também chegou à Justiça paulista, que determinou a realização de perícia para esclarecer as circunstâncias dos investimentos e eventuais prejuízos ao patrimônio previdenciário.
Anísio afirma que seu trabalho para o IPSSC ainda está em andamento e que não há conclusão definitiva sobre eventuais responsabilidades.
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