A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a proposta de acordo de colaboração premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, proprietário da Entre Investimentos e Participações. O empresário é investigado no contexto do caso envolvendo o Banco Master e teria atuado na movimentação de recursos relacionados à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A proposta de delação foi enviada ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo. O acordo ainda não foi homologado e não há prazo definido para que o magistrado decida sobre a validade da colaboração.
De acordo com investigadores, a empresa de Freixo Júnior teria sido utilizada como uma das intermediárias para transferir dinheiro destinado à produção do longa-metragem. O empresário também teria participado da busca por moeda em espécie para viabilizar pagamentos em dinheiro vivo.
Delação foi assinada no mesmo dia que acordo de dono da Reag
A colaboração de Freixo Júnior foi formalizada no mesmo dia em que João Carlos Mansur, proprietário da gestora Reag, assinou seu próprio acordo com a PGR.
As duas delações estão inseridas nas investigações relacionadas ao caso Master e foram encaminhadas ao mesmo gabinete no Supremo.
As informações apresentadas pelos colaboradores deverão passar por análise judicial antes que os benefícios previstos nos acordos possam ser efetivamente validados.
Filme recebeu milhões em repasses
As investigações da Polícia Federal identificaram novos detalhes sobre o financiamento de “Dark Horse”.
Segundo informações reunidas no inquérito, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro realizou, em setembro de 2025, um novo repasse de US$ 1,6 milhão para o projeto. A transferência ocorreu poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrar parcelas que estariam atrasadas.
Esse pagamento se juntou a outros seis repasses identificados anteriormente: dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão. Somados, os valores chegaram a aproximadamente R$ 61 milhões, segundo as informações reunidas na investigação.
O pagamento mais recente teria sido localizado a partir de informações financeiras analisadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Como o dinheiro chegava à produção de “Dark Horse”
A investigação aponta que os recursos destinados ao filme percorriam uma estrutura formada por empresas e um fundo sediado nos Estados Unidos.
Os valores atribuídos a Vorcaro eram inicialmente transferidos por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa ligada a Freixo Júnior. Depois, o dinheiro seguia para o Havengate Development Fund, sediado no Texas.
O fundo era responsável por administrar os recursos e realizar os repasses à Go Up Entertainment, empresa apontada como produtora de “Dark Horse”.
Entre os administradores do fundo estava Paulo Calixto, advogado que já atuou para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A estrutura financeira passou a ser examinada pela Polícia Federal no contexto dos inquéritos que investigam as operações relacionadas ao Banco Master.
Novo pagamento contradiz declaração de Flávio Bolsonaro
A identificação do repasse realizado em setembro de 2025 também trouxe uma nova informação para a investigação.
Anteriormente, Flávio Bolsonaro havia afirmado publicamente que o último pagamento feito por Daniel Vorcaro para o filme teria ocorrido em maio de 2025.
A declaração foi dada pelo senador à GloboNews quando vieram a público as informações sobre os recursos destinados à produção.
Os dados analisados pela Polícia Federal, porém, apontam para uma transferência adicional de US$ 1,6 milhão em setembro daquele ano.
Áudio revelou cobrança por parcelas atrasadas
A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro em torno do financiamento do filme ganhou repercussão depois que um áudio atribuído ao senador veio a público.
A gravação, divulgada pelo The Intercept Brasil em maio deste ano, mostra Flávio cobrando do ex-banqueiro valores relacionados ao projeto.
As informações sobre os pagamentos passaram a integrar o conjunto de elementos analisados nas investigações sobre o Banco Master e suas conexões financeiras.
Com a proposta de delação de Freixo Júnior agora nas mãos do STF, os investigadores poderão buscar novos esclarecimentos sobre a origem, a circulação e a finalidade dos recursos destinados à produção de “Dark Horse”.
O acordo, entretanto, ainda depende de homologação pelo ministro André Mendonça. Até essa decisão, as informações apresentadas pelo empresário no âmbito da colaboração permanecem sujeitas à análise da Justiça.
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