Moraes e Vorcaro

Moraes trocou celular e número durante investigação da PF sobre Vorcaro

Mudança ocorreu em fevereiro, quando investigadores já analisavam aparelhos apreendidos com dono do Banco Master; respostas enviadas pelo ministro não foram recuperadas

Moraes trocou celular e número durante investigação da PF sobre Vorcaro
Alexandre de Moraes trocou de aparelho e chip durante investigações do caso Master Crédito: Gustavo Moreno/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), trocou de celular, chip e número de telefone na segunda semana de fevereiro de 2026, quando a Polícia Federal já investigava o caso Banco Master e analisava aparelhos apreendidos com Daniel Vorcaro. O telefone substituído havia sido usado pelo magistrado nas conversas mantidas com o banqueiro.

O aparelho estava com Moraes pelo menos desde 2022. Vorcaro havia recebido o número do ministro do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria em dezembro de 2023 e o salvou como "Alexandre de Moraes BRASILIA".

As mensagens recuperadas pela PF se concentram entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão de Vorcaro. Os investigadores identificaram mensagens escritas pelo banqueiro e enviadas ao ministro por meio de um método que dificultava a preservação do conteúdo no WhatsApp.

Vorcaro escrevia os textos no bloco de notas do iPhone, fazia capturas de tela e enviava as imagens pelo recurso de visualização única. A PF conseguiu reconstruir as mensagens cruzando registros digitais do aparelho, horários das capturas de tela e acessos à conversa com Moraes. As respostas atribuídas ao ministro, porém, não foram recuperadas. 

A troca do telefone, chip e número ocorreu cerca de três meses depois da apreensão dos celulares de Vorcaro. Até o momento, não há elemento divulgado pela investigação que estabeleça relação entre a substituição do aparelho por Moraes e o trabalho realizado pela Polícia Federal. Procurado por meio da assessoria do STF, Moraes não se manifestou sobre a troca do celular.

Conversas antes da prisão

As mensagens recuperadas mostram que Vorcaro buscava Moraes enquanto demonstrava preocupação com o avanço das investigações sobre o Banco Master. Em 30 de outubro de 2025, o banqueiro mencionou informações que teria recebido sobre a pressão da Polícia Federal e do Ministério Público e pediu que fossem procurados Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

As conversas também indicam dois encontros entre Moraes e Vorcaro nos dias que antecederam a prisão do empresário. Em 14 de novembro, Vorcaro tratou de uma reunião em sua casa e, posteriormente, agradeceu ao ministro: "Estamos juntos sempre. Voce sabe que tenho gratidao da minha vida a você".

No dia seguinte, voltou a procurar Moraes e demonstrou preocupação com uma possível ação policial. Em uma das mensagens, perguntou: "Acha que segunda já tenho que estar fora?".

Em 16 de novembro, Vorcaro informou que estava em um avião e que seguiria diretamente para encontrar o ministro após o pouso. Depois do encontro indicado pelas mensagens, pediu ajuda envolvendo o diretor-geral da PF. "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível", escreveu Vorcaro.

O banqueiro ainda questionou se havia possibilidade de uma operação acontecer na manhã seguinte. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para viajar em um jato particular.

O relatório com as mensagens ganhou repercussão após o ministro André Mendonça retirar o sigilo do material. Além das conversas, a investigação reúne registros de encontros e informações sobre contratos milionários entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.