Lula reforça campanha nas ruas em meio à pressão por caso Lulinha

Presidente orienta aliados a intensificarem contato com eleitores e defenderem resultados do governo enquanto investigações envolvendo seu filho ganham repercussão

Por Bianca Lobianco

Lula enfrenta desgastes na campanha após repercussão de envolvimento de Lulinha com lobista e 'Careca do INSS'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou aliados a intensificarem o trabalho nas ruas durante a campanha à reeleição. A estratégia ocorre em meio à repercussão das investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, Lula tem defendido uma campanha marcada pelo contato direto com os eleitores e pela disputa de votos nos bairros. A orientação é que integrantes do PT apresentem dados positivos da administração federal para responder às críticas de adversários.

A economia é apontada como uma das principais preocupações do presidente. Lula avalia que seu governo tem resultados que precisam ser mais conhecidos pelo eleitorado e pretende concentrar a atuação dos aliados na defesa da gestão.

As investigações sobre Lulinha, porém, aumentaram a pressão sobre a campanha. O filho do presidente é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal apontou Fábio Luís como possível beneficiário indireto da atuação da lobista Roberta Luchsinger, que teria buscado intermediar negócios relacionados à venda de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que os casos sejam encaminhados à primeira instância, sob o argumento de que não há investigados com foro privilegiado que justifique a permanência das apurações no Supremo. Lulinha nega irregularidades, enquanto sua defesa questiona a divulgação de informações das investigações.

Marcola também aparece nas investigações. Segundo a apuração da Polícia Federal, ele teria recebido pagamentos de Roberta Luchsinger. O ex-chefe de gabinete afirma que os valores foram empréstimos pessoais e nega ter recebido vantagens indevidas.

O impacto eleitoral das novas revelações ainda não foi captado pelas pesquisas mais recentes. O Datafolha divulgado em 21 de agosto apontou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um eventual segundo turno entre os dois, o petista aparece com 47%, ante 43% do senador. As entrevistas foram realizadas entre 18 e 20 de agosto, antes da divulgação de parte das informações mais recentes sobre o caso Lulinha.

A pesquisa também mostrou sinais de desgaste na avaliação do governo. A aprovação do desempenho de Lula passou a ser inferior à desaprovação: 48% disseram aprovar o governo, enquanto 50% afirmaram desaprová-lo. A avaliação negativa da gestão chegou a 41%, contra 38% no levantamento anterior, embora a variação esteja dentro da margem de erro.

Em entrevista neste domingo (23), Lula afirmou que não interfere nas investigações da Polícia Federal e disse que seu filho deve responder pelas acusações caso seja responsabilizado. O presidente também negou qualquer tentativa de blindagem de Lulinha e defendeu a independência da PF.

Com a eleição ainda em fase inicial, o PT deve concentrar esforços na mobilização da base e na tentativa de conquistar eleitores indecisos. O cenário atual indica uma disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, embora o presidente ainda apareça numericamente à frente nos principais levantamentos divulgados até agora.